por Andrea Pavlovitsch

40 são os novos 30

Nasci em 1976. Nos anos 70. Vi as diretas já, o primeiro presidente civil no Brasil. Vi o 11 de setembro ao vivo, a queda do muro de Berlin, a morte do Airton Senna (isso dói até hoje) e de outros ídolos, que perdemos para as drogas ou a Aids nos anos 90. Vi as Spice Girls, as Melindrosas (aquele grupo que a Gretchen cantava, lembra?). 

Fiz amigos, aos montes, e me perdi de muita gente. Perdi minha avó amada, meus avôs e alguns amigos, tragicamente. Vivi romances, amizades, viagens inesquecíveis, experiências espirituais incríveis. 

Passei por uma depressão brava e uma recuperação maravilhosa. Fiquei doente e sarei inúmeras vezes. Terminei duas faculdades. Fiz uma cirurgia, operei um ou dois dentes e fiz alguns tratamentos de canal (ai, sacanagem). Vi pessoas indo embora e outras chegando, tive três sobrinhos maravilhosos (uma ainda a caminho). Vi amor, guerra, saudades, ilusões e desilusões. 

“Na minha época”, não tinha celular. Nem e-mail. Eu tinha um Pager na minha primeira faculdade e não era a única. Vi os carros ganhando asas e nem precisarem mais de combustível. E isso é só um resumo. Só passaram 40 anos!
A nossa ideia de tempo é bem complicada. Às vezes, parece muito, mas na história do mundo 40 anos não é nada! É um espirro, talvez até menos que isso. Sim, eu vivi anos que muitas, muitas mudanças mundiais aconteceram. 

Anos em que a tecnologia tomou conta do mundo. Anos que saíram do nada e entraram com tudo na era da internet, da comunicação global, da hiperatividade humana. Dos excessos de informações, das epidemias de Ebola e zika vírus e continuo. E só passaram, repito, 40 anos.

Algumas pessoas têm problemas com a idade e eu nunca fui destas. Isso porque eu sei que vivi cada dia, de cada ano, de cada minuto de cada segundo, aqui bem dentro de mim mesma. Que analisei cada detalhe, degustei cada experiência como única. 
Não deixei nada passar em branco ou batido. Comemorei todos os meus aniversários, um por um, alguns com muita gente (como uma festona de 30 anos), alguns com poucos e bons amigos. Vivi pra caramba e sei que estou só no começo. 

Se você tem 40 ou 50 ou 20, não importa. Não importa o que fala a sua identidade, o que importa é, sempre, o seu espírito. Não tem como voltar no tempo (pelo menos não encontraram isso ainda). Tem como ir sempre para a frente, aprender com cada coisa e continuar comemorando a vida. Viver é muito perigoso e você pode não passar de hoje, então viva. Essa é a minha filosofia de vida até hoje.

Tenho que agradecer ao Universo por ter a chance de chegar até aqui. Maravilhosa, linda ao meu jeito, feliz e satisfeita. Cheia, lotada de experiências bacanas e madura para saber o que eu quero e para onde eu vou. Depois do dia 24 de março, estarei lá, nos “enta”. Feliz da vida! Satisfeita e alegre com a minha existência.

Viva cada etapa! A vida sempre cobra quando você pula alguma coisa. Se é para ser, seja. Se é para viver, vive. Se joga nas experiências sem medo de ser feliz ou infeliz. Sim, você vai se machucar, eu garanto. Mas continue se arriscando a ser realmente feliz. Muda o que tem que mudar e, se der medo, vai com medo mesmo. Vida é para ser vivida e idade é para ser comemorada!! Feliz “enta”!!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.