por Maria Isabel de Oliveira

A doença como linguagem da alma

Nunca se erradicará nem se curará a doença com os atuais métodos materialistas, pela simples razão que a doença não é material em sua origem. O que nós conhecemos como doença é o último resultado produzido no corpo, o produto final de forças profundas e duradouras, e ainda que o tratamento seja aparentemente eficaz, é um mero alívio temporário se não suprime a causa real. Dr. Edward Bach - Criador da Terapia Floral

Devemos congratular os afetados por suas doenças devido às possibilidades de desenvolvimento e aprendizado nelas contidas. Ser culpado pela doença não é uma questão de pequenas ou grandes faltas cometidas na vida cotidiana, mas de algo fundamental. A culpa humana primordial reside no abandono da unidade paradisíaca. A vida neste mundo de opostos é necessariamente cheia de faltas e serve para que se reencontre o caminho de volta à unidade. Cada falta e cada sintoma significam elementos que faltam para a perfeição, transformando-se em oportunidades de desenvolvimento. 

Distorcer o significado da doença para avaliar outras pessoas é um mal-entendido sob vários pontos de vista. Ele não pode servir para a atribuição de culpa, já que a culpa primordial foi distribuída há muito e não precisa de nenhuma colaboração humana.

Quem transforma seu dedo indicador em arma e, interpretando seus sintomas, incrimina outras pessoas ou culpa a si mesmo em relação a isso, compreendeu mal todo o princípio. O mau uso da interpretação como incriminação, segundo o lema você está com prisão de ventre porque é um tremendo de um avarento!, implica no desconhecimento do caráter da sombra que existe em cada sintoma de uma doença.

Por definição, sombra é o que é inconsciente para o afetado. Por isso mesmo, a pessoa incriminada dessa maneira não poderá de modo algum aceitar a interpretação. Se ela soubesse que é avarenta, não haveria menor razão para que tivesse prisão de ventre. A sombra não assume o ataque. Ao contrário, é preciso proceder com extrema cautela neste que é o tema mais difícil de nossa existência. O afetado precisa de toda a sua energia e de muito espaço em termos de ambiente para, de pequeno passo em pequeno passo, descobrir sua relação com o tema expresso no sintoma da doença.

Os assim chamados primitivos estão bastante mais avançados que nós nesse sentido, já que consideram os sintomas da doença como golpes do destino em suas vidas, e os aceitam de bom grado como provas. Em muitas tribos, o candidato a xamã sofre sua doença de iniciação, único meio que pode introduzi-lo em novos campos de experiência. Às vezes esse pensamento é seguido de maneira tão consequente que um curandeiro somente pode tratar aqueles sintomas que ele mesmo padeceu de corpo e alma. Essa postura é forçosa, caso se entenda o curandeiro como sendo um guia de almas pelos mundos interiores, já que, afinal, um guia de viagens deveria conhecer de antemão o país através do qual guia os outros.

A doença é um caminho que pode ser percorrido, nem bom nem mau em si mesmo. O que fazer a respeito depende única e exclusivamente do afetado. Eu vivenciei com uma série de pacientes como eles percorreram conscientemente esse caminho e puderam constatar retrospectivamente que seu excesso de peso, seu infarto do miocárdio ou até mesmo seu câncer transformaram-se em uma grande oportunidade. Hoje foi preciso assumir que foi seu infarto do miocárdio que levou Santa Teresa de Ávila a percorrer o caminho que percorreu. É isso exatamente o que exige a doença como caminho: aprender a crescer dentro dos próprios sintomas. Somente assim, pela conscientização da causa das doenças é que estas poderão ser definitivamente erradicadas.

Maria Isabel de Oliveira

+ artigos

Maria Isabel de Oliveira tem formação em Cosmobiologia e Naturopatia, especialização em Fitoenergética e pós-graduação em Análise Bioenergética.