por Andrea Pavlovitsch

A velha mente

Não, não estou falando que a senhora idosa faltou com a verdade. A mente a que me refiro é essa mesma: aquela que controla você. Aquela parte do nosso ego que não está só na sua cabeça, mas em todo o seu corpo. Aquela parte da sua consciência onde estão depositados as crenças, os medos, as frustrações, situações passadas e memórias boas e ruins. Essa é a mente. E ela mente.

A mente é boa em memórias. Ela tem séculos de espaço em HD. Sabe tudo o que se passou com você até hoje, até quando você estava anestesiado ou dormindo. Vê tudo e ouve tudo, até quando você não escutou direto. Sabe de todas as “verdades”. Mas, calma, ela só sabe as verdades que ela quer.

Seleciona as verdades (crenças) e fica repetindo aquilo para você pelo resto da eternidade. Se você, por exemplo, cresceu numa casa onde o dinheiro era uma coisa muito difícil (e ouviu isso da mãe e do pai por anos), ela continuará repetindo isso, mesmo que você ganhe na mega acumulada (o que vai ser difícil de acontecer, porque ela não acredita nisso).

O problema destas crenças é que elas fazem a nossa vida. Estabelecem os nossos hábitos, as nossas manias e a maneira como levamos as coisas. Você pode querer, querer muito uma coisa, mas a mente vai te dar um grande não. Então, por mais que você se esforce, não sai do lugar. Não é só o agir, mas tudo o que vem antes disso. Agir para o quê? De que maneira? A mente sempre diz que é impossível. 

Pegue alguma situação da sua vida que não parece mudar. Analise isso profundamente. Pergunte-se o que está impedindo a sua ação ou o que está dando errado. Sua mente sempre vai repetir que não dá, que é difícil. Que você jamais vai superar um obstáculo. Ela conta historinhas da carochinha e você acredita.

Analise essas historinhas. Perceba quais estão te fazendo bem e quais estão te fazendo mal. Se a maioria das coisas é crença, porque preciso sempre acreditar no mal? Porque preciso acreditar em rejeição, dor, peso, medo ou culpa? Por que não posso acreditar que está tudo bem e fazer com que realmente esteja, independente do resultado?

Essas crenças da mente fecham as possibilidades. Às vezes, é bem fácil resolver alguma coisa, mas ela coloca empecilhos. Cria barreiras inexistentes que só existem dentro de você, na sua mente. Ela repete, repete, repete, repete até que te convence. E ela gosta de te convencer de coisas bem feias como: “Eu sou incapaz”, “Isso não é para mim” ou “Ninguém me ama”. Pode acontecer em qualquer área da sua vida e, assim, em cada pequeno episódio, é a mente que vai invadir e dizer o que é a “realidade”.

Atendo muitas mulheres que se sentem rejeitadas. Então, tudo o que o parceiro (ou potencial parceiro) fizer é lido como rejeição. Pode ser um mero esquecer de responder uma mensagem ou não dizer exatamente o que ela queria ouvir… Tudo vira uma grande rejeição. É preciso tomar cuidado com o que se escuta e o que o outro falou. A chance de serem coisas bem diferentes é bem grande.

Cuidado e consciência dos seus atos. Se algum coisa ruim anda se repetindo muito na sua vida, perceba se não é só a sua consciência das coisas. Isso, ou suas crenças só atraem aquela situação ruim para você. Autorresponsabilidade e autoanálise são a chave para eliminar essas crenças limitantes e ser feliz. De verdade.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.