por Andrea Pavlovitsch

Acreditando nos seus sonhos

Lembro das tardes de sábado na casa da minha avó. Não tinha como colocar a TV em outro canal que não fosse o que estava passando o Cassino do Chacrinha. Ele invadia a tela, todo mundo fazia silêncio. De vez em quando, quando a Rita Cadilac rebolava na TV, a minha avó soltava: “Essas moças com o biquíni enfiado são umas porcas”, com o melhor sotaque português. Eu adorava aquilo. Achava tudo estranho e divertido. Bem a minha cara. 

E quando hoje eu fui agraciada encontrando “Chacrinha, o musical” passando no canal Viva eu só me arrependi de não ter ido ao teatro assistir. Simplesmente sensacional. E com este texto começado no computador, e o que eu vi ali, não tinha como dar outra coisa, senão mais um artigo, sobre sonhar e realizar. 

Numa das cenas um casal argentino vai parar na rádio Niterói, onde começou o tal Cassino do Chacrinha, procurando pelo cassino em si. Chacrinha diz que ele está lá, apesar de só ter uma “chacrinha” (sim, diminutivo de chácara, onde ficava a rádio) cheia de patos e bois ao seu redor. Ele vai mostrando o que vê na sua imaginação: as mesas de apostas, os crupiês, as bailarinas. Estava tudo ali, dentro da imaginação dele. O que viria a se tornar, anos mais tarde, o maior programa da televisão brasileira até hoje. 

Chacrinha era destas pessoas que sonhavam e que não tinham medo disso. Apesar de viver num tempo em que isso era complicado. De ser nordestino e de tudo parecer estar conspirando contra. Ele sonhava, ele pensava, ele imaginava. E aí, aconteceu.

Ouvi estes dias de uma amiga: “Sabe por que as coisas grandes acontecem com a gente? Porque a gente acredita”. E ela está certa. Mas quem acredita precisa ser forte. Precisa não se deixar levar pelas críticas, que serão muitas. Precisa entender que a imensa maioria das pessoas ao seu redor jamais vai entender o que diabos você está falando. Que elas vão achar você maluca, estranha, excêntrica ou vão te taxar de coisas como “bipolar” ou “esquizoide”. E você vai precisar continuar indo em frente, buscando apoio em quem realmente acredita em você e, principalmente, em você mesmo.

Pessoas que vieram para sonhar grande e realizar enorme são assim. São especiais, mas malucas, são ousadas. Não acham legal, acham “demais”. Sentem demais, sofrem demais, sonham e choram demais. Mas vivem e transformam de uma maneira tão, tão especial que nada poderia prever.

Se você é assim, apenas aceite. Que dói menos, é verdade, mas não vai deixar de ser dolorido. Viver é dolorido e seria mais fácil ser pequeno. Mas uma alma clamando para sair não quer saber de amarras. Ela sai mesmo. Ela estoura mesmo. Ela vai te mandar para lugares que você jamais vai pensar em chegar. Apenas vá, não se deslumbre. Apenas viva. Apenas seja o que você veio para ser.

Você pode nem ser o próximo Chacrinha ou a próxima Madonna, mas com certeza vai deixar um legado para o mundo. Vai deixar a sua marca e vai fazer a sua mudança. Tenha coragem para realizar o que você sonha e não tome juízo, pelo amor de Deus. Gente assim não precisa de juízo. Precisa de fé. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.