por Adriana Garibaldi

Convite à verdade

“Primeiro você precisa se dar conta que está carregando uma falsificação, uma moeda falsa. É claro, isso o deixa triste. Você se sente como se tivesse perdido algo mas, na realidade, você nunca o teve”.  Osho

Autocomplacência muitas vezes nos faz embarcar em situações não muito claras, principalmente no terreno sentimental e, não somos capazes de perceber em que momento nos perdemos pelo caminho do faz de conta, como a frente de uma encruzilhada, incapacitados de administrar com acerto algumas situações a que a vida nos submete de tempos em tempos.
 
Notar as joias falsas que povoam os cofres dourados das nossas ilusões, para sermos capazes de reconhecer aquela pedra preciosa que ficou perdida em meio de uma montanha de bijuterias sem valor, a joia que representa nossa própria alma. Não significa que algo seja real no mundo, porque afinal, tudo é ilusório quando não estamos despertos, enquanto não atingirmos a condição de Budas.
 
Contudo, acredito que algumas ilusões podem ser administráveis e outras não, principalmente aquelas que nos fazem perder totalmente em um emaranhado de sentimentos e emoções sem lógica, pela veemência com que costumam apresentar-se, talvez para nos acordar e nos fazer notar as inúmeras falsificações que carregamos sem nos dar conta, obrigando-nos a adquirir coragem para alterar alguns rumos que empreendemos por distração, ou por falta de foco, ou de repente por imaginar que nosso querer poderia ser suficiente para termos aquilo que nos parece portador de felicidade.
    
Às vezes embarcamos em sonhos que sabemos de antemão serem impossíveis, um mecanismo de defensa que erguemos contra a realidade que não gostamos. Mas existe a hora de parar e olhar de frente para tudo isso de olhos bem abertos e coração despido de todas as ilusões criadas, além de outras tantas, que afinal, parecem ter vindo de fora, do acaso, do destino, como se tivéssemos sido pegos em uma armadilha. Nesse momento será preciso nos recolher, voltando a estabelecer vínculos com a verdade.
 
Muitas vezes as ilusões nos levam para um terreno perigoso de amores não correspondidos, paixões que nos fazem perder a razão e, nesse ponto, a situação fica ainda mais difícil, a é dor muito mais sofrida.
 
Onde está nossa coragem? Onde está a nossa fé? Onde está o amor para conosco?
Osho fala de tristeza, sem dúvida uma condição que nos deixa tristes. Perdermos uma falsificação promove tristeza, porque as ilusões muitas vezes são capazes de nos dar picos enormes de energia na qual ficamos visceralmente viciados.
 
Uma exultação que sabemos de antemão ser totalmente irreal, quimera que nos lança instantes depois em um abismo de aflição. Contudo, ficamos nos agarrando a ela, mesmo reconhecendo que toda ilusão acabará, mais ou menos dia, em desilusão.    
 
Aprendamos a ver a realidade conforme se apresenta, mesmo que para isso precisemos nos desgarrar por dentro, porque somente assim estaremos em condições de nos transformar, aceitando com resignação aquilo que não pode ser modificado.
É necessário coragem para renunciar a situações ou relacionamentos que a vida nos nega para não acabar dando murros em ponta de faca, nos machucando e ferindo inutilmente.
 
Às vezes é necessário aprender a virar a página, virar o disco, virar-nos do avesso para virar a esquina e mudar o rumo das nossas vidas à procura da felicidade que está aí adiante, alguns poucos metros à frente, em uma rota chamada realidade.
 

Adriana Garibaldi

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Artista plástica, escritora e terapeuta Reiki. Há mais de trinta e cinco anos desenvolve um trabalho de pintura, dentro de uma temática simbólica e metafísica, através da ligação profunda com o fantástico e com o sagrado.

Médium de formação kardecista, apaixonada pelo estudo da espiritualidade, hoje em dia mantém uma abordagem universalista de conceitos cada vez mais amplos.