por Hellen Reis Mourao

Erotes – As várias facetas do amor

Você sabe o quanto o amor pode ser complexo e quantas nuances ele pode apresentar? A Mitologia Grega traz algumas representações do amor que pode nos auxiliar melhor na compreensão deste tema.

Você sabe o que são Erotes? O nome Erotes é o plural de Eros, deus do amor e do desejo. Na Mitologia Grega eram considerados filhos alados de Afrodite – a deusa da sensualidade, beleza e sexualidade. São, então, um coletivo de deuses alados relacionados ao amor e ao sexo com as suas diversas nuances. Sendo filhos dessa deusa, representam as várias facetas do amor. Eram companheiros constantes da mãe, sendo retratados muitas vezes ao lado dela.

O principal Erotes é Eros, deus bastante complexo.

Na Mitologia, Eros, seriam dois deuses; o primeiro seria um deus primordial, juntamente com Caos e o segundo é o filho de Afrodite (com Ares ou Hermes) jovem, travesso.

Eros é o deus do amor inconsequente, da união, da afinidade que inspira e produz simpatia entre os seres, para os unir. É a união, aproximação, mistura, multiplicação e é um Deus invencível.

Anteros, cujo nome significa “o amor voltou” é o deus do amor correspondido e o vingador do amor não correspondido. Anteros é um anti-Eros. Ele é irmão de Eros e na mitologia ao descobrir que Eros não crescia pois se sentia solitário (o amor precisa ser correspondido para amadurecer), ela teve Anteros com Ares. Assim, Eros cresceu e se tornou belo e forte, mas voltou a ser criança quando o irmão foi enviado para ser criado como pescador.

Esse deus punia quem escarnecia do amor de alguém. Fisicamente se parecia com seu irmão Eros, mas com cabelos longos e asas emplumadas de borboleta.

Ele também simboliza a antipatia, a aversão e consequentemente o divórcio e a separação. Ele impede que os não semelhantes se misturem, criando limites e assim evitando que a natureza caia novamente no caos. Representado armado com um taco de ouro ou setas de chumbo.

O outro Erote se chama Himeros e é o deus do desejo sexual e também do amor não correspondido. Na Teogonia de Hesíodo, ao surgir da espuma do mar, Afrodite estava grávida de gêmeos: Eros e Himeros, sendo os dois companheiros constantes de sua mãe. A deusa do amor então traz consigo a simpatia, a união e o desejo sexual. Foi retratado junto com o seu irmão Eros na cena do nascimento de Afrodite, voando em torno da concha da deusa no mar. Em outras vezes, ele aparece como uma tríade de deuses do amor, com os seus irmãos, Eros e Pothos (Amor e Paixão).

Também era retratado como filho da deusa com Ares. Ele também era alado e armado de arco e flecha.

Era representado normalmente com uma bandana na cabeça e convivia constantemente no Olimpo com as Musas e as Cáritas.

O outro deus considerado Erotes é Photos. Esse era o deus grego da paixão, anseio e desejo ardente. Era irmão de Eros e Himeros, mas em algumas versões era considerado filho de Eros, ou um aspecto dele. Escritores clássicos tardios o descrevem como um filho de Zéfiro e Iris. Ele fazia parte do cortejo de Afrodite e carregava uma vinha, simbolizando uma ligação com o vinho ou com o deus Dioniso.

Outros deuses foram considerados Erotes, mas os quatro acima são os que foram mais vezes retratados com Afrodite. Esses outros são: Hedilogo, Himeneu e Hermafrodito.

Hedilogo era filho de Afrodite e Hermes, representava o cortejo e o elogio dos apaixonados.

Himeneu era o deus das cerimônias de casamento. Filho de Afrodite e Apolo ou Dioniso. Era extremamente belo e diz a lenda que se esse deus não comparecesse a um casamento, esse tenderia ao fracasso.

Hermafrodito é filho de Hermes e Afrodite e é o deus das almas gêmeas. Ele simboliza a fusão dos dois sexos em um ser só. Teria nascido um menino extremamente bonito, que se transformou posteriormente em um ser andrógino por haver se unido à ninfa Salmacis, que se apaixonou por ele e não foi correspondida. Simboliza a união com nossa contraparte psíquica (a anima e o animus).

Em algumas tradições esses Erotes também tinham uma influência especial no amor homossexual. Simbolizando que o amor pode ser expresso de inúmeras formas, não necessariamente a heterossexual.

Amores correspondidos, não correspondidos, inconsequentes, o amor conjugal, as almas gêmeas que acabam se fundindo, os desejos sexuais, a angústia e a saudade, tudo isso mostra o quanto o amor é complexo e cheio de nuances, e, no entanto, tão poderoso.

Nenhum mortal ou outro deus tinha poder mediante essas forças. O deus Apolo, senhor da razão e comedimento, desdenhou das habilidades do deus Eros com o arco e flecha e por ele foi punido. Eros lançou uma flecha de amor no solar Apolo e uma flecha de rejeição na ninfa Dafne, que então rejeitou todas as investidas do deus e acabou em um fim trágico. A partir de então os amores de Apolo passaram a ser não correspondidos ou acabaram em tragédia. Isso porque o amor não combina com a razão. Zombar desse poder e usar de artifícios racionais mata o amor e acabaremos vivemos uma vida insatisfatória nesta área.

O amor pode subverter a ordem, causar angústia pelo desejo não correspondido, mas gera crescimento psicológico e nos faz entender o outro (que está em nós também) e isso leva a uma compreensão maior do que nós somos.

Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.