por Andrea Pavlovitsch

Façam suas apostas amorosas

Eu atendo pessoas, na sua maioria, loucas por amor. Sedentas de um relacionamento amoroso bacana, sem crueldade ou jogos amorosos. Pelo menos é isso que elas falam. Aí, você conhece alguém. Tudo parece bem favorável. Vocês saem algumas vezes, trocam informações importantes. Você começa a entender que está criando certa intimidade com essa pessoa. Ela já te diz que horas está saindo do trabalho e não parece tão estranho fazer mais de uma ligação por dia. Tudo está em paz.

Aí é que essas pessoas me procuram. Depois de alguns encontros, ou de um mês de relacionamento. Onde isso vai dar? Ele ou ela quer mesmo algo sério? Ele tem outra? Ela tem outro? O que ele sente por mim? Um desespero de causa. O problema é que essas pessoas já se envolveram, mas ainda acham que não. Ainda acham que estão no controle e que podem “parar quando quiserem” como qualquer drogado. Ledo engano, quando você começa a se perguntar, já está envolvida (o) até o pescoço.

Daí para a cabeça fazer uma festa, é rápido. Qualquer demora na resposta é uma prova de rejeição. Se ele não liga no horário ou desmarca um encontro, é uma dor terrível no peito. Parece que todos os seus sistemas estão sendo acionados de uma vez só. Você quer chorar, berrar, entra em pânico. 

Ataca a geladeira, o maço de cigarros, ataca até a sua mãe que decidiu te ligar para saber se está tudo bem. Você jura que não vai mais atender nenhum telefonema e vai demorar 6 meses para responder a próxima mensagem. Até que chega a próxima mensagem. Oi! Você responde em 6 segundos com um sorriso nos lábios e o coração aliviado. Ufa, ele ou ela ainda me quer.

Entender que isso não é do outro é importante. A rejeição é sempre nossa e algumas pessoas vão sentir isso mais forte e outras mais fraco. Mas vivemos num mundo em que a maioria das pessoas tem problemas com rejeição amorosa. Isso pode “justificar” a imensa quantidade de crimes passionais que existem. A dor é tamanha que é melhor matar (literalmente) o objeto de “amor”. 

E, claro, isso não é mais amor. Se envolve qualquer tipo de crueldade, de desrespeito, já deixou de ser amor faz tempo. Isso são todos os sistemas doentes da pessoa em ação. Tão em ação que, muitas vezes, terminam em tragédia.

Mas ainda assim, estar com alguém ou se envolver com alguém é um risco. É uma aposta mesmo. Você não tem como julgar alguém depois de sair algumas vezes, de conversar sobre algumas coisas. Sim, a sensação pode até ser de conhecer o outro a vida toda, mas isso não é real. Queremos acreditar nisso, porque remetemos essa sensação à infância. Aos nossos pais, aqueles que cuidavam de nós. É uma reminiscência infantil, não é real. 

A realidade é que ninguém nos pertence. E por mais que doa, aquela sua história, que está mexendo com a sua vida e mudando o seu futuro, pode ir por água abaixo a qualquer momento. Tudo pode acontecer, o tempo todo, no Universo.

Não existem garantias. O outro pode não te querer mais. Ele pode ter um problema sério de saúde. Ele pode até morrer atropelado, isso não depende de você. Assim como você mesmo pode não estar por aqui, ou mudar de ideia, ou conhecer uma pessoa que pareça melhor, não importa. O que interessa é você saber que relações, assim como tudo no mundo, são apostas. Você aposta e pode ganhar ou perder. Simples assim.

Sim, as pessoas vão continuar perguntando se é para sempre, se é o “The One” e todas essas coisas. Mas a única pessoa que vai estar com você para sempre é você mesmo. Todo mundo, eu disse todo mundo vai embora em algum momento. Ou você vai acabar indo. Não adianta entrar na ansiedade por causa disso.

Viva o momento. Viva o que tiver que viver com aquele homem ou com aquela mulher. Viva a história toda, gaste bem todos os seus créditos, e não se arrependa. Só se arrepender do que não fazemos já é o suficiente, não é? Então, façam suas apostas. E boa sorte!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.