por Andrea Pavlovitsch

Falando de amor

O amor é, sem sombra de dúvida, a parte mais complicada da vida da maioria das pessoas. Até das felizes neste quesito. O amor nos explora a alma. Faz com que nossas entranhas se revirem de tal maneira que tudo fica fora do lugar. Ninguém é considerado normal até que tenha passado por uma paixão daquelas, com direito a um final nada feliz, tenha se testado e considerado normal as coisas que fez. Ou seja, a normalidade, mais uma vez provada, não existe.

O amor é carregado de crenças. Coisas que ouvimos desde criança dos nossos pais e avôs. Homem é assim, mulher é assado. Para ser feliz é preciso ter alguém com você ou mais um monte de coisas que nunca ninguém parou para pensar. Simplesmente nós adotamos como certo. E sofremos quando qualquer uma das nossas fantasias não acontece. Ele não é como a minha mãe descreveu e o que ela fazia com meu pai não funciona com ele! Ué! Lá vem a depressão, a raiva da vida e do famoso “mas porque comigo?”

Ah sei, você está lendo isso e pensando como eu conheço a sua história, não é? Pois é, mas essa é a história da maioria. As pessoas fantasiam. Acreditam em príncipes e princesas encantadas. Criam dependências absurdas. Uma vez, uma amiga me disse o seguinte quando a convidei para ver um filme no cinema: “Eu não posso ir porque o meu namorado não viu este filme. E ele não gosta que eu tenha visto uma coisa que ele não viu.” Eu não respondi. Porque como ela, com certeza, já fiz algumas coisas deste tipo e nem percebi. Não quanto ao cinema, mas em relação a muitas outras coisas.

E não pensem que eu sou contra o amor. De maneira nenhuma! Eu adoro estar amando, adoro paqueras e namoros e todo este universo. Mas que ele despende um tempão das nossas vidas e de nossa energia, isso ele despende! E percebi que precisamos só olhar a coisa toda diferente e não desistir de nada. Olhar para um parceiro ou uma parceira como uma pessoa que tem seus altos e baixos, que mente, que se engana, que se sente mal de tantas maneiras e, que muitas vezes, faz isso porque simplesmente não sabe como agir de outro jeito. Todos somos humanos. Todos tivemos uma infância, uma cultura e um monte de coisas que até admitimos em outras pessoas, mas não no nosso marido ou namorado ou qualquer outra coisa.

Projetamos um monte de abobrinhas em cima dos outros e queremos que eles atendam às nossas expectativas absurdas! É tão maluco quando paramos para pensar que foi até difícil para eu admitir. Admitir o quanto eu compreendo meus pacientes e, muitas vezes, não conseguia compreender quem eu amo. Quantas vezes eu fiz loucuras em nome de um amor que, na boa, amor não era de jeito nenhum.

Amor hoje, para mim, é substância de uso infinito no Universo. É como o ar que se respira. Ele não termina e ele serve para milhões e milhões de coisas e pessoas. E situações. Podemos amar e reamar e reamar muitas e muitas vezes, até a mesma pessoa. O amor muda de forma, mas nunca, nunca muda de conteúdo. Então, agora, estou repensando o amor e suas consequências. Estou repensando o que eu sinto, como eu sinto e como eu posso sentir. Afinal de contas, admitir e mudar é tão humano como amar.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.