por Paulo Bregantin

Masturbação e saúde

A masturbação é um tabu da humanidade. Ela sem dúvida é uma das ações mais escondidas que fazemos. Como um tabu é claro que temos que fazer escondido.
Bem, quero iniciar esse papo fazendo algumas perguntas e, no decorrer poderemos passar por algumas delas.

Você se masturba? Quanta vezes por dia ou semana? Você acredita que a masturbação é uma doença ou pecado? Você conversa sobre isso com seus familiares e/ou amigos? Você compartilha com seu par (esposa, marido, namorado, ficante, etc) a masturbação?
 
Bem, mas antes de escrever um pouco sobre essas perguntas quero tentar explicar em poucas palavras e de forma simples o que é masturbação.
 
Masturbação é o ato da estimulação dos órgãos genitais, manualmente ou por meio de objetos, com o objetivo de obter prazer sexual, seguido ou não de orgasmo, sendo uma prática sexual não-penetrativa. Podendo ser autoaplicada, quando o que promove a estimulação é o mesmo que a recebe ou pode ser aplicada a uma pessoa diferente, quando o que promove a estimulação o promove em outro”.
 
Desde de épocas remotas o ser humano por ser um mamífero se utiliza da masturbação como autorrelaxamento e até mesmo como culto. Com o advindo do Cristianismo a masturbação passou a ser um pecado, pois para se masturbar é preciso elevar os pensamentos a “coisas impuras”, quem descreveu isso foi o teólogo Tomás de Aquino.
A Igreja Católica, através do teólogo São Tomás de Aquino, classificou-a como um pecado contra natureza, mesmo pior do que incesto. Ele se baseava na interpretação da narrativa (errónea) do Antigo Testamento sobre Onã. A descoberta do espermatozóide, em 1677, motivou a medicina a se associar à Igreja Católica para qualificar a masturbação como uma doença abominável e um mal moral, uma vez que o espermatozóide veio a ser considerado como um bebé em miniatura.
 
“A repressão da masturbação foi, consequentemente, a regra nos Séculos XVII a XIX. Era vista como uma doença que provocava distúrbios do estômago e da digestão, perda do apetite ou fome voraz, vômitos, náuseas, debilitação dos órgãos respiratórios, tosse, rouquidão, paralisias, enfraquecimento do órgão de procriação a ponto de causar impotência, falta de desejo sexual e ejaculações noturnas e diurnas[carece de fontes]. Em 1758, Samuel Auguste Tissot publica o "Ensaio sobre as doenças decorrentes do Onanismo", em que diz que esta doença ataca os jovens e libidinosos e, embora comam bem, emagrecem e consomem seu vigor juvenil.
 
E, de lá para cá não mudou muita coisa, pois pouco se fala sobre masturbação e muito menos o que ela causa no ser humano. Nós, latinos americanos, por termos em nossa maioria a formação Judaico-cristã podemos de forma até inconsciente entender que a masturbação é um pecado e evitamos então conversar sobre ela nas escolas, nas igrejas, entre amigos(as), e até mesmo conosco mesmos sobre os benefícios ou malefícios da masturbação.
 
No entanto, no início do século XX, surgiram novos estudiosos como Sigmund Freud, Kraft-Hebing e Havelock Ellis, com novas linhas de pensamento que levaram a uma visão diferente da masturbação. Ou seja, no final do século XX foi criado um consenso por profissionais de saúde de que a masturbação é sadia, e com o advento da especialização acadêmica da sexualidade o ato é defendido por especialistas como parte do desenvolvimento sexual de uma pessoa normal. O mercado de vibradores e estimulantes ao ato vem crescendo no mundo todo com lojas na internet.

Recentemente, estudos mostraram que a masturbação pode prevenir o câncer de próstata e aliviar os sintomas de depressão. A masturbação frequente, particularmente aos 20 anos, ajudaria os homens nesse sentido, de acordo com um estudo publicado na revista "New Scientist" (www.newscientist.com).

Segundo cientistas australianos, quanto mais os homens se masturbam entre os 20 e os 50 anos, menos chances há de um tumor prostático se desenvolver. Eles suspeitam que a ejaculação frequente preveniria a formação de carcinógenos na glândula, pois o sêmen é rico em substâncias como potássio, zinco, frutose e ácido cítrico.

O pesquisador Graham Giles, do Conselho de Câncer Victoria, em Melbourne, analisou 1.079 pacientes com câncer e 1.259 homens saudáveis. Giles descobriu que as pessoas que ejaculavam mais de cinco vezes por semana aos 20 anos tinham três vezes menos chance de apresentar uma versão agressiva da doença.

Mediante ao exposto acima vamos voltar às perguntas que fiz no início desse artigo e, vamos tentar entender como isso funciona em nossa mente e em nosso dia a dia.

Você se masturba? Essa é uma pergunta que para respondermos temos que entender se somos a favor da ciência e fazemos parte dos mamíferos ou somos regidos pela “fé judaico-cristã”, ou seja, crendo que é um pecado e deve ser bloqueado. Isso é uma questão interessante, pois quando vamos de fronte a nossos desejos fisiológicos entramos em contraste e luta com nossa mente, e isso pode gerar traumas. O que quero dizer é que teremos desejos de nos masturbar, porém se bloqueamos conscientemente, nosso inconsciente fará com que venhamos a sonhar ou mentir (quem sabe é por isso que ejaculamos à noite em nossos sonhos devassos) para alcançar a satisfação desse desejo de se masturbar.
 
Creio que se conversarmos mais a respeito da masturbação poderemos entender de forma mais simples e tirar de nossas mentes que é pecado ou algo doentio.
 
Não estou aqui defendendo e nem acusando ninguém ou qualquer instituição seja ela religiosa ou não, minha expectativa com esse artigo é que alguns(as) sejam despertados a buscar mais conhecimento do que realmente significa a masturbação e como conviver com ela em nossas vidas, como falar dela para nossas crianças e para nós mesmos.
 
Vamos falar mais sobre esse assunto.

Até breve! 

Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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