por Maria Eduarda Kamarad

Mergulhando o pão no leite

Tem gente que acredita que amar é fácil. Eu acredito que amar é delicioso, é divertido, é interessante, gostoso, emocionante, mas não é fácil. Tem gente também, que esquece que relação não é só amorosa e que conviver com outra pessoa é muito complicado. Quantas vezes até com a minha mãe, pessoa com a qual convivo todos os dias da minha vida, de quem sai de dentro, de quem herdei muitos e muitos detalhes, não me peguei em uma briga de quase arrancar os cabelos?

Conviver com outra pessoa é tarefa complicada, mas no fim das contas, todos passam por isso de um jeito ou de outro... Dentro de um relacionamento amoroso, por exemplo, é a melhor forma de entendermos como isso afeta nossos neurônios e nossa vontade súbita de fazer as malas e sumir durante uns três anos, até a poeira baixar e você resolver voltar pro ponto de onde saiu. Se é difícil conviver com seus pais e irmãos que tiveram a mesma educação que você, imagina com pessoas que têm criação, hábitos, manias, cultura e até mesmo religião e time de futebol diferentes dos seus! Mas então como lidar com isso? Quando chegam as decisões e os gostos não batem? Quando um quer de um jeito e o outro insiste que deve ser diferente? Hmmm... Essa hora é a que o bicho pega. E ai, a gente segue as regras básicas:
 

1 – Você namoraria com você mesmo? Será que todas as suas manias chatas, o problema da organização, a preguiça dos finais de semana, as músicas melancólicas e a falta de disposição física, seriam de fato agradáveis, vistos de fora? Ou se for o contrário: nem todo mundo gosta de tudo arrumadinho e de gente que acorda 6:30 da manhã pra caminhar num sábado...

2 – E viver em um mundo perfeito, em que todos aceitam as mesmas coisas, tem emoção? Quem nunca teve uma briga e viu a delícia de se reconciliar não sabe o que é viver. Além disso, chegar a conclusões e tomar decisões em conjunto, além de te proporcionar novas experiências, pode ser muito importante pra sua formação.

3 – Alô? O Amor está? Se você o sente e é recíproco, não há toalha molhada na cama, ou tampo da privada erguida todo dia, que te faça desistir de repetir 800 vezes que “isso estraga e molha a cama!” ou então “além de desagradável, eu sou mulher e as bactérias andam pelo banheiro!”. Se você ama você entende, você muda, você acaba mesmo sem perceber, tomando pra si, aquilo que você admira no outro e que te falta. O amor e os relacionamentos, são feitos pra isso: pra crescer. Como pessoa, por dentro. Mas calma, não se preocupe: não é aceitar a toalha molhada que te fará uma pessoa melhor! É aprender que nem todo mundo é igual a você, que o mundo não gira ao seu redor e que o valor de outra vida e de um outro sorriso, pode ser mais valioso do que qualquer outra coisa. É aprender a valorizar a magia da vida, que nos proporciona um parceiro(a), pra ser exatamente tudo aquilo o que a gente precisa. É colocar um estranho na sua frente, de hábitos, universos e mundos diferentes dos seus e simplesmente se encantar pela diversidade de quem se encantou com a sua.

O amor te faz entender que nada é impossível, que a força de um sentimento invisível pode superar qualquer dificuldade do dia-a-dia, ou desgaste da rotina do cotidiano. E o relacionamento, te mostra que você pode ser muito melhor do que já é, e ainda, que não importa quando, você sempre tem a chance de mudar!

No fim do dia, ao chegar e sentar-se ao lado de quem se ama, olhe em seus olhos e apenas aprecie. A forma infantilizada e doce de ser, os trejeitos maternos ou paternos trazidos do DNA, a mania de cuidar demais, a insistência pra que tudo esteja organizado, o hábito das leituras chatas, aquela coisa de molhar o pão no leite e comer em seguida, a pasta de dente que nunca tem tampa, ou o interesse absoluto em algo que simplesmente você nem imagina do que se trata.

Olhe. Admire. Entenda e respeite. Mas principalmente: ame.

Maria Eduarda Kamarad

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Maria Eduarda Kamarad, mora em São Paulo, é aspirante a jornalista, adora música, a Lua e dar pitaco de amor no coração das pessoas.