por Andrea Pavlovitsch

Motivação

Interessante… Eu nunca escrevi sobre isso até me ver desanimada de verdade neste fim de ano, pensando em como eu poderia estar me sentindo melhor e mais animada para ver o Papai Noel ou para comprar os presentes de Natal. Não sei se por causa de um ano conturbado, em que muitas coisas aconteceram (em nível pessoal e geral), mas me sentia estranha.

Procurei pela palavra no YouTube e encontrei um canal com músicas que motivam. A primeira era ‘The best’, com a Tina Turner, acompanhada de um clipe enorme do Ayrton Senna. Aquilo me arrepiou. Ver um cara que fez o que fez, que era o que era, enfim... Eu sou muito fã dele e fui uma das milhões de pessoas que assistiram à sua morte, no dia primeiro de maio de 1994. Eu lembro onde eu estava, como estava vestida, lembro até da temperatura do local. É uma lembrança que jamais vou apagar...

A morte do Ayrton Senna foi uma daquelas tragédias que fazem a gente pensar se vale a pena o esforço; se vale levantar tão cedo, dormir tão tarde; se vale abrir mão do que queremos no presente por causa de algo maior e melhor no futuro…

Comecei a pensar no que me motiva e quando isso não é o suficiente, quando, em um final de ano qualquer, aquela força de dentro simplesmente não aparece.

Eu acredito em cansaço e o pior cansaço que existe é o emocional. Situações ruim e coisas que se repetem na sua vida há muito tempo vão drenando as nossas forças. Motivação e banho são coisas que precisamos tomar todos os dias, uma boa dose! Ninguém é motivado naturalmente, senão o termo não seria esse e ninguém precisaria postar uma playlist daquelas no YouTube. O problema real é que nos esquecemos disso.

Esquecemos de que precisamos nos colocar para cima, nos mostrar que podemos. Peguei minhas conquistas e fiz uma lista enorme. Desde ‘nascer num ambiente complicado’ até o último e-mail que recebi, elogiando o meu trabalho. Coloquei um livro meu na estante, bem à vista. Minhas melhores fotos espalhadas pela casa e coisas que me lembrem dos meus objetivos: a esteira que está sendo usada, uma sapatilha de balé (apesar de eu dançar jazz), uma balança para manter um peso que eu gosto de ter, minhas revistas de moda… Enfim, listei e coloquei à vista o que me motiva.

A playlist eu salvei. O ambiente foi arrumado, a cozinha cuidadosamente ajeitada. Tirei as coisas velhas da geladeira e os vencidos dos armários. Deixei lá o que está legal para comer. Tomei as decisões de não ter metades, de não ser mais “meio” em nada, de ser inteira em tudo o que fizer, de fazer o que eu realmente quero e curto, apreciando tudo isso a cada minuto. Vou ouvir músicas, ler livros e me inspirar em coisas, pessoas e situações que eu quero para mim.

Isso precisa ser feito com regularidade. É preciso que nos lembremos constantemente daquilo que nos motiva a continuar, do que nos faz levantar da cama pela manhã.

Neste fim de ano, pense no que vai te levar a passar por 2017 e no que vai te motivar. Dê esse presente a si mesmo, todos os dias. Tenho certeza de que um final de ano desanimado não baterá em sua porta. Já mandei o meu desânimo embora. Tem até luzes de Natal na minha varanda! Que tal fazer o mesmo?

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.