por Andrea Pavlovitsch

Não dá pra acertar sempre

Isso é meio um artigo, meio um mea culpa, meio uma tentativa de eu para de me cobrar tanto, meio calabresa, meia mussarela. Bom, o assunto é: o que dá certo, o que não dá e o que fazemos com isso? E por que algumas coisas dão tão certo e outras não?

Primeira coisa que precisamos entender: cada pequena coisa na nossa vida, de achar uma vaga de estacionamento ao nascimento do nosso filho, depende de um milhão de variáveis. E por um milhão, não ache que é exagero poético, é um milhão mesmo. Talvez um milhão de coisas precisem acontecer antes de um evento qualquer chegar a ser o que é. E dependemos, sim, o tempo todo, do externo.

Eu me peguei pensando nas “coisas que eu tenho feito de errado”. Muitas vezes eu vou dormir com a sensação de que deveria ter feito as coisas de forma diferente. Não deveria ter falado aquilo para ele, ou deveria ter falado outra coisa. Não deveria ter comprado isso ou aquilo. Deveria ter verificado tal coisa antes de não sei o que, não deveria ter sido rude com a mulher da lavanderia. Nossa, sério, dá para entender a insônia do mundo quando paramos para pensar nos nossos “deveria”.

Mas aqui, conversando, parando para pensar parece absurdo a cobrança que temos de nós mesmos quando no fundo acabamos meio que escolhendo e fazendo por intuição. Sim, algumas pessoas conseguem pensar mais, são mais racionais que outras, mas mesmo estas ainda fazem as coisas no impulso. Ainda precisamos daquela coisa que nos leva, ainda simplesmente respondemos ou reagimos quando somos apertados, ameaçados ou assustados por algo.

Ainda reagimos demais! A maturidade e o autoconhecimento são para isso. Para que possamos parar de reagir e começar a agir. A pensar no que estamos fazendo, a de fato responder as coisas. Mas no mundo doido e tão rápido que vivemos, como fazer isso? Se temos segundos para decidir coisas que vão mudar as nossas vidas? Se temos milésimos para elaborar uma reação sobre algo ou alguém? Se sempre acabamos respondendo pelas nossas experiências anteriores?

Eu me peguei pensando nisso porque me vi reagindo uma situação. Uma situação que acontecia muito comigo na vida e que agora eu continuo reagindo como se nada tivesse mudado. Mas mudou! As coisas são diferentes agora e eu não sou mais uma adolescente assustada e precisando me autoafirmar. Parei, pensei, resolvi que não tem nada de errado em ouvir a opinião do outro e me arriscar a até concordar com algumas coisas. Isso é complicado. Precisei ser humilde para isso, mas funcionou.

E fico pensando no que eu fiz com as pessoas. Nas decisões erradas que eu tomei, nas coisas ruins que eu falei. Quero pedir uma grande “desculpa” para todo mundo. Se eu fiz, nunca foi mal-intencionada. Eu sempre acreditei e acredito no melhor para mim e para todo mundo e sei dos meus erros e dos meus defeitos. E sei que posso me ajudar a me compreender e ser uma pessoa mais legal.

Legal sim, talvez não para todo mundo, porque isso é impossível. Mas para mim e para quem realmente me importa na vida. Eu tenho muitas feridas, muitas coisas que eu cuido diariamente, assim como cada um. E quando fazemos isso com a gente, passamos a ter a capacidade de fazer isso para o outro. De entender e de melhorar a nossa relação com o mundo.

Espero que consigamos terminar este ano sem tanto receio de sermos nós mesmos!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.