por Paulo Bregantin

Neurose de Angústia - Parte 1

O que é Neurose de Angústia?

Antes mesmo do recalque temos a angústia. Sim! A angústia é um estado afetivo experimentado por todos nós, em uma ou outra época, por nossa própria conta, nos alerta Freud.

A angústia é subjetiva, pois envolve sensações, sentimentos, dores físicas, dores emocionais. Isso faz da angústia alvo de estudos de muitos profissionais da área psicológica. 

É impossível não citar Freud quando falamos de angústia, pois os principais sintomas que tratamos e discutimos nos últimos 100 anos se baseiam nos sintomas descritos por ele. Freud lista os seguintes sintomas:

- Ataques de ansiedade.

- Ataques de ansiedade de distúrbios somáticos vários.

- Ataques de suor geralmente à noite.

- Ataques de tremores e calafrios.

- Ataques de fome devoradora.

- Diarreia sobrevindo em forma de ataques.

Tais sintomas podem existir cronicamente, mas mostram-se mais nítidos em momentos de exacerbação ou crise. Porém, esses sintomas são individualizados, ou seja, cada pessoa sente de uma forma única, por isso, muitos estudiosos dizem que a angústia é uma doença e outros dizem que são enfermidades psicossomáticas. Dependendo do profissional que você vai buscar com esses sintomas o tratamento será diferenciado, pois alguns utilizarão de medicamentos, preferencialmente os benzodiazepínicos e, outros encaminharão para a terapia, outros ainda prescreverão o medicamento e solicitarão o acompanhamento psicoterapêutico (esse último é o que mais indico).

 

Existem diferenças entre a Angústia e Ansiedade. São sutis, mas existem e creio que vai saber um pouco sobre a fenomenologia e etimologia das palavras para o entendimento.
“No sentido fenomenológico, contudo, fala-se de angústia se predominam sensações de constrição e aperto (principalmente referidas ao peito e à cabeça) e de ansiedade para se referir às expectativas negativas, a uma certa inquietação motora e psíquica generalizada e a correlatos fisiológicos como palpitações, tremores, abafamento respiratório etc. Pieron diz que: “Na prática, os dois termos são sinônimos”. As raízes etimológicas de ambos são comuns. A palavra angústia significa sufocar, estrangular e ansiedade se refere a incerteza, excitação, medo, estreitamento. A literatura de língua inglesa parece ter preferência por angst (angústia) e a francesa por anxieté (ansiedade)”.

A Angústia ou Neurose de Angústia tem como sintomas mais comuns e mais perceptivos na maioria das pessoas portadoras um sentimento angustiante crônico e generalizado, ou seja, a pessoa quase nunca relaxa, os músculos estão sempre tensos, uma inquietação constante e incômoda, uma sensação de medo vago ou sem um significado específico, expectativas negativas relativas ao futuro, sensações de tormentas em situações que poderão lhe acometer. Fisiologicamente podem ser sentidos palpitações, sensações de sufocamento, tremores, sudorese excessiva, mal-estar gástrico, tonturas, delírios, sensações de perseguições, perda temporária do sono, pesadelos, etc.

A sensações mais comuns nos portadores de Neuroses de Angústia é o “aperto na cabeça e no peito”. Isso pode causar dores de cabeça e ativar distúrbios psicossomáticos como: úlceras, asma, gastrites, colites, etc.

Pode ocorrer também em épocas de crises fobias, histerias, desejos hipocondríacos e até mesmo a melancolia. 

Muitas vezes a performance sexual é afetada, ou seja, perda do desejo sexual. Pode ocorrer também como sintoma coadjuvante falta de vontade de trabalhar, impaciência, tristeza sem um significado específico, não sentem vontade de divertir-se, o mau humor impera nas relações de amizade, discussões desnecessárias com pessoas do convívio, o ócio não existe para essas pessoas, pois estão sempre buscando o que fazer, pois entendem que ficarem quieta e descansando pode causar problemas futuros, etc.

Veja, todos esses sintomas são expectativas exacerbadas de situações que ainda nem aconteceram e que na maioria das vezes nem acontecerão. 

 

Claro, isso tudo que descrevi acima gera na pessoa sensações de não ser aceito, de inferioridade, insegurança, insatisfação com a vida que vive e com as pessoas que rodeiam, sensação de que nada dá certo, esgotamento físico e mental (falam com frequência, estão cansados e esgotados), necessitam estar protegidos sempre, pois a insegurança rege a vida, sentem-se incompreendidos no trabalho, escola, família, casamento, namoro, etc. 

O quadro deve ser avaliado por um profissional da área de saúde e, depois de uma avaliação clínica fazer o diagnóstico. Não é somente lendo esse artigo que podemos dizer que temos ou não a Neurose de Angústia. Como escrevi acima é uma psicopatologia individualizada, ou seja, cada pessoa pode sentir e vivenciar de forma diferente e única.

As pessoas que têm instaladas em si as neuroses de angústia necessitam sim de acompanhamento médico e psicológico. Muito importante também é o autoconhecimento e autoentendimento do funcionamento psicológico e físico, pois isso pode ajudar muito no processo de diminuição dos sintomas.

Acredito que uma forma especial para se tratar as Neuroses de Angústia é através da Ressonância Límbica. No próximo artigo, vou descrever o que é e como funciona. Claro que devem existir outras tantas formas para se tratar as Neuroses de Angústia, eu particularmente tenho utilizado a Ressonância Límbica como ferramenta terapêutica em várias pessoas e com bons resultados.

Confira também: Parte 1

Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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