por Andrea Pavlovitsch

O segredo da prosperidade

Estava eu, bela e folgada, no trânsito de São Paulo. Na minha frente, um Corsa abarrotado de gente, com todas as janelas abertas. Um dos ocupantes do veículo (para usar termos policiais) estava fumando um cigarro. E eu escutando meu CD do Gasparetto. Um homem maltrapilho parou ao lado do carro da frente e fez um gesto para o rapaz que fumava. O rapaz deu o resto de seu cigarro para o homem, que saiu fumando. Eu olhei a cena enquanto ouvia algo como você é o que? Uma favelada emocional? Luis se referia a uma moça que havia ligado no programa dele pedindo orientações. A moça havia largado tudo por um homem e, no final, tinha ficado só com uma síndrome do pânico.

No mesmo dia, mais cedo, eu me invoquei com um flanelinha no farol. Fiquei pensando em como aquelas pessoas são invasivas. O que me incomoda neles não é o fato de querem limpar o meu vidro, isso pode até ser considerado um trabalho, mas o fato deles invadirem o seu vidro com ar ameaçador, lavando tudo mesmo quando você diz insistentes nãos.

Pensei no meio de tudo isso, nos vampiros que eu conheço. Pessoas que sofrem de querer, querer do outro, da vida de qualquer coisa. Pessoas que precisam que você sempre dê algo para elas, como se o mundo lhes devesse alguma coisa. Enfim, histórias e mais histórias, que todos estão cansados de ouvir e cheguei a uma única conclusão: essa ânsia de precisar, de querer do outro, traz tudo, menos a prosperidade.

A prosperidade não é só a grana, a parte material. Mas a prosperidade de encontrar alguém legal para você viver, bons amigos, dinheiro para poder ter uma boa casa e manter sua família confortável. É poder comprar uma coisa ou outra sem medo. Saber que existe muito e que é só ir só lá é pedir para o Universo e saber receber dele. E me toquei que, quando eu sou assim, pidona, chata, exigindo amor e atenção das pessoas, estou minando a minha prosperidade. Os mendigos só vão parar debaixo da ponte porque já foram antes disso, e muito, mendigos emocionais. Uma vez eu li que muitas das pessoas que vivem nas ruas eram bem sucedidas na vida, tinham um trabalho e dinheiro, e foram parar nas ruas porque um dia, simplesmente abandonaram tudo e foram embora. Geralmente motivados por uma depressão, que veio de uma situação emocional nada legal, ou até mesmo de decepções amorosas ou de família. Ou seja, se largaram de uma maneira, pedindo, exigindo que o mundo lhes desse o que queriam, que terminaram fazendo isso literalmente nas suas vidas.

Quem aguenta uma vendedora de loja que fica em cima de você te dizendo coisas como você tem certeza de que não quer experimentar, é tão bonito? Ficam lá como que mendigando seu dinheiro, pelo amor de Deus compra alguma coisa de mim. Dê-me algo que é seu!Qualquer coisa, uma atenção, um carinho, mas me dê algo!

São pessoas que sentem que o mundo lhes deve alguma coisa, que acabam sem nada. É como se o Universo virasse e dissesse sim, então vou te tirar tudo, literalmente, para você aprender a se valorizar e aprender que não precisa de nada de ninguém. E essa é a grande lição. Eu já percebi que quando entro na energia coitada de mim, me dá atenção a grana some do banco. Tudo o que é falta acontece. Quando eu enfatizo a falta, é mais falta que me aparece.

E agora chega! Quando descobrimos como as coisas são interligadas, como ter ou não ter dinheiro não depende de nada além de você aprender a se valorizar, e dar a chance da vida fazer isso, paramos de achar que nos falta algo. Passamos a acreditar, de verdade, na abundância que é o Universo e como ele tem tudo para todo mundo.

Uma vez eu li uma frase muito boa, que dizia que se toda a riqueza do mundo fosse distribuída igualmente para todas as pessoas, em cinco anos tudo teria voltado para os donos originais. E é verdade! Porque a riqueza está, antes de tudo, dentro de cada pessoa. Dentro da sua cabeça, da sua mente, da sua verdade. Então, vamos parar de mendigar amor, atenção, dinheiro, qualquer coisa do outro e vamos nos dar isso. Assim, de graça, de presente, só porque merecemos. Só assim também poderemos dar isso para os outros, de verdade, ver os outros na sua essência e na sua verdade. Como eu vi o homem que pediu o cigarro, como eu vi o flanelinha. São só pessoas que ainda não tiveram a chance de ter isso consciente, mas que estão no caminho do aprendizado, pelo qual todos nós passamos. Isso é sim, a verdadeira compaixão!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.