por Andrea Pavlovitsch

Os sonhos que temos dormindo

Existem dois tipos de sonhos importantes. O primeiro é aquele que temos a noite, quando dormimos. O outro é aquele que temos acordados, sonhando com as coisas que queremos conquistar ou fazer na vida. Hoje eu vou falar do primeiro tipo, os sonhos que temos dormindo.

Desde que comecei a fazer terapia com uma analista junguiana (que obviamente me influenciou na profissão completamente) eu presto muita, muita atenção aos meus sonhos. Estou em um ponto em que acordo com o significado do sonho pronto e, quando ele é real, eu percebo na hora. Vem uma sensação incrível de verdade dentro do meu peito. Uma maneira do meu inconsciente me dizer o que eu preciso saber.

Não é magia, é ciência mesmo. Freud foi o cara que, entre outras coisas maravilhosas, descobriu a importância do inconsciente. Nós somos divididos em três partes, segundo ele: ego, superego e id. O ego é quem nós somos, nossas personalidades; o superego são as vozes nas nossa cabeça, nos dizendo o que é certo ou errado; e o inconsciente é aquela coisa que a gente sabe, mas não sabe, o que mandamos lá para dentro porque não estamos muito a fim de usar na hora ou não é interessante. Estou sendo muito, muito sucinta claro, me perdoem. A coisa é mais complicada, mas é só para saber que os sonhos são realidade.

Eles são como e-mails - ouvi essa explicação de um psicólogo, que não me lembro o nome, uma vez e achei fantástica - que recebemos todos os dias pela manhã. Estes e-mails nos dizem o que precisamos fazer, que decisões tomar e se estamos ou não indo na direção certa. Não são todos premonitórios, aliás, isso é bem difícil de acontecer. Mas sempre tem uma mensagem interessante. 

Lembro-me de uma série de sonhos que tive com uma amiga. Na época, éramos muito próximas. Eu sonhei, várias vezes, que ela estava em perigo e eu precisava salvá-la. Eu acordava assustada, com medo, porque eu sempre conseguia, mas era sempre por um triz. Alguns dias depois de um dos sonhos mais assustadores, eu descobri que ela me traiu. Não vou entrar em detalhes, porque não interessa, mas depois de um tempo eu entendi os meus sonhos.

Meu inconsciente já sabia que tinha alguma coisa errada. Que talvez a amabilidade dela não fosse verdadeira. Mas eu a amava muito e não queria acreditar nisso. Então meu inconsciente mandava mensagens de que ela estava para morrer. Eu a salvava, dentro de mim, porque sabia que ela “morreria” para mim e eu não queria isso. Foi um tipo de premonição, mas não literal. Ela não morreu de fato, só morreu para mim, psicologicamente.

Já tive milhões de exemplos disso, pessoalmente e com meus clientes. É fantástico como eles podem nos ajudar a resolver questões mais complicadas. Então comece a prestar atenção nos seus sonhos.

O problema é que eles não vêm prontos. Eles usam restos diurnos, ou seja, coisas que viu no seu dia a dia, na TV ou livros, para te contar uma verdade que é sua. Estudar seus sonhos pode te ajudar a ser mais feliz e a tomar decisões mais certeiras.

Nem sempre eu entendo os meus, então é complicado. Procurar um terapeuta que estude os sonhos pode ser interessante. Eu mesma estou com um sonho recorrente (que se repete muito) que ainda não consegui entender. Mas logo eu perceberei o que é. Só preciso me manter ligada nisso.

Faça um diário de sonhos, é bem interessante. E vá percebendo a relação deles com fatos do seu dia a dia. Tenho certeza de que você vai descobrir todas aquelas coisas que vive pedindo para Deus ou o Universo te mostrar. Mas, você está preparado para a verdade? 

Boa sorte! 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.