por Andrea Pavlovitsch

Paixão não tem explicação

Sensação boa essa da paixão. Brega, mas boa. Te dá um frio na barriga, uma perninha bamba quando ele aparece. Dá vontade de passar a vida toda só quietinha, relembrando o último encontro. Dá até aquela vontade de viver para sempre.

Paixão não tem explicação. 

A rima é pobre, mas o significado é enorme. Paixão não se explica, não se racionaliza. Algumas pessoas dizem que é doença, talvez seja mesmo. Mas como tudo na vida, só vira doença o que não controlamos, o que não tomamos as devidas providências. Paixão bem vivida é coisa boa demais.

É recordar… você passa ser aquela que irradia uma luz estranha, que todo mundo percebe que repete. Mas ninguém sabe direito o que é. Só acham que, sei lá, você está mais bonita. Paixão fica lá dentro da gente guardada. Ela faz sofrer, mas faz um bem danado. Quando toca a música de vocês… quando alguém fala o nome dele. E nem precisa ser ele que estão falando, basta que o nome dele apareça no pedaço.

 

E é engraçado, pode ser o nome mais diferente do mundo, parece que todo mundo tem o mesmo nome. Ou estão falando de um igual na fila do restaurante. Ou estão chamando um igual no seu exame de sangue. A cabeça fica tonta, desespera. Será que ele está saindo com outra pessoa? Ficamos ciumentas, esquisitas. Não sabemos o que dizer e sim, sempre diremos a coisa errada. Depois ficamos nos remoendo “Por que eu falei aquela abobrinha?” ou “Por que eu não respondi assim ou assado?”. Mas o princípio da paixão é relaxar nossa razão, nosso emocional. “Não se entregue demais”, “Não crie expectativas”, tudo isso é bem bonito e certo na teoria, mas na prática simplesmente não funciona. Ele ocupa seus pensamentos, sua rotina e seus dias que parecem cinzas e distantes.

E aí, é o dia de encontrá-lo e, meu Deus, o que será que vai acontecer? Será que a paixão vai virar amor? Será que vai se concretizar? Será que é sério? Hajam oráculos, testes interativos e compatibilidade de signos para dar conta. E quando os signos combinam é “Eu sabia que fomos feitos um para o outro”. E quando não é “Esse negócio não dá certo mesmo”.

Paixão é para ser vivida. É para deixar acontecer. Pode ser que demore, pode ser que atrapalhe, mas precisa ser gasta. É um fogo que precisa ser queimado, até o fim, mesmo que precise de potes de sorvete e todas as músicas da Mariah Carey dos anos 80 e 90. É fogo que arde sem se ver. Mas que sem, deixa a vida sem graça, sem perspectiva.

Os céticos que me desculpem, mas paixão é fundamental na nossa vida. Viver é apaixonar-se todos os dias. Às vezes, pela mesma pessoa. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.