por Andrea Pavlovitsch

Pense espiritualmente

Sei, parece estranho. Como eu posso pensar, uma função da razão; espiritualmente, uma função do espírito. E é disso mesmo que se trata: de pensar com o espírito. Pensar espiritualmente é simples. É só começar a ver as coisas como um todo. Ao invés de pensar nos atos das pessoas, e nas próprias pessoas, como seres individuais pense nelas como espíritos. Se você acredita na vida eterna (ou tem uma religião que pregue isso) use como exemplo. Se não acredita em nada, ainda assim pode se beneficiar, quando pensar que todos os atos são perpetuações de atos anteriores, geneticamente estipulados. Eu vou tentar me fazer entender.

Todos somos um espírito. Um espírito que anda vagando na eternidade. Você não teve começo, ou meio, ou terá um final. Se acredita que Deus o fez a sua imagem e semelhança, acredita que Deus não foi criado por ninguém, ele simplesmente existia, então você, como potencialidade dele, sempre existiu. E se Ele não vai acabar então você, como potencialidade dele, também não acabará.

Se você é um ateu ou agnóstico a visão é diferente, mas dá para entender também. Você é um ser que veio de um sistema complexo chamado vida. Quando a vida começou na Terra? Talvez como humanos nós saibamos, mas como animais, ou bactérias ou protozoários, desde que a Terra é Terra. Então você, como potencialidade de vida, sempre existiu, mesmo que tudo termine para você quando morrer. Se deixar filhos, netos, ou até mesmo um aprendizado para alguém já estará perpetuado. Então você, meu amigo, também é eterno.

Isso posto, vamos parar de ver a vida pequena? Que tal? Vamos ver a vida como um todo. Um enorme emaranhado de pessoas, situações, emergências, problemas e soluções. Tudo assim, interligado. Ninguém te faz uma malcriação se não tiver um motivo. Pode até ser que o motivo da pessoa não tenha nada a ver com você, mas logo você leva para o pessoal e aquilo vira uma briga. Às vezes a pessoa está com pressa, estressada e te fecha na rua e você toma aquilo como pessoal. Sabia que tem gente que já tomou porrada e até tiro por “tirar satisfações”? Você nunca sabe com o que do outro você está lidando.

Seu namorado, vamos supor, começa a te atacar. Fala que você engordou, que está com bafo ou que a sua maquiagem está escorrendo. Ao invés de atacá-lo de volta pare e pense: será que ele tem algum motivo para isso? Bom, se ele costuma ser um cara legal e generoso e, de repente, faz isso, deve ter alguma coisa de errada. Pode ser uma coisa que você soltou sem querer, achando que não tinha nada de mais, ou pode ser um pepino do trabalho dele. Sim, não justifica, mas pelo menos faz com que a gente pese as coisas de maneira diferente (e não, esse exemplo não serve se o seu namorado faz isso o tempo todo, apesar de, se você procurar, conseguir até achar um bom motivo para isso).

Mulheres são mais compreensivas, então precisamos tomar cuidado. Uma coisa é entender que, se alguma coisa chega até nós, é porque precisamos olhar para aquilo e perceber o que está acontecendo de fato. Outra coisa é a gente começar a ser “a compreensiva” e entender tudo o que o outro faz sem se defender.

De novo. Isso posto, é ver a vida de cima. Do alto. Como se você tivesse sido tirada de uma situação. Pense nas pessoas como espírito, e não como os papéis que elas representam para você (como seu pai, mãe ou irmão). Pense nas situações como algo que começou muito antes. Saia da situação e olhe tudo de longe, sem estar emocionalmente envolvida.

Um exercício que sempre peço aos meus clientes é: se essa situação estivesse acontecendo com uma amiga ou amigo o que você diria? Geralmente isso tira a pessoa do “pessoal” e eleva para um nível superior de entendimento. Quando fazemos isso passamos a observar melhor, a tomar melhores decisões e não reagir. Na verdade, isso sobre agir ou reagir é tema para um próximo artigo. Mas pense nisso.

Comece a ver tudo como um espírito eterno, que está a muitos séculos vivendo e aprendendo. Acredito que isso torne as coisas, mesmo as mais difíceis, bem mais fáceis.

Pense nisso. Espiritualmente.  

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.