por Paulo Bregantin

Quais são as fases que antecedem a depressão?

A depressão não chega de repente. Ela se instala através de um processo que leva um tempo e, nesse processo existem, pelo menos, duas hipóteses que devem ser levadas em conta.

A primeira hipótese que antecede a depressão é o que chamarei de Estresse, ou atitudes estressantes, é simples avaliar pessoas que apresentam atitudes estressantes, as mais comuns são: Brigar no trânsito com algo irrelevante, dar descarga antes de terminar de urinar, se irritar com “novelas” ou “filmes” (coisas imaginárias), brigar com ações de políticos de forma exacerbada com situações não temos controle, se irritar com ações de crianças (gritos, brincadeiras, etc).  

A pessoa estressada está com a mente mais voltada para o erro do que o acerto, mais para a derrota do que para a vitória, mais para o caos do que o cosmo, mais para a incerteza do que a certeza, mais para a desconfiança do que para a confiança.
A pessoa estressada se desmotiva somente de pensar no que tem que ser feito, pois sempre imagina que já fez o máximo e não tem mais saída para as coisas. Sempre coloca sobre os outros as “culpas” dos acontecimentos e, sempre pensa que a situação “nunca” vai melhorar.

A segunda hipótese que antecede a depressão é o que chamarei de Ansiedade, ou ações de ansiedade. As atitudes mais comuns das pessoas que estão nessa fase são: Ter doenças psicossomáticas (síndrome de pânico, TOC, delírios,), somatização de qualquer doença simples, ou seja, um resfriado pode se tornar algo grave. Crises asmáticas, erupções de enfermidades cutâneas, queda de cabeço, diminuição abrupta da libido, dores musculares antes de dormir e logo após o sono, desejo de ficar só (solidão), desejo de falar cada vez menos com pessoas próximas, crises de tristezas constantes, o choro “seca”, aumento ou diminuição de peso, sensação de angústias indescritíveis, vontade de “morrer”(entendendo que é a última saída ou solução para os problemas da vida). Não discute mais assuntos relevantes para a vida, entra em um processo de “falta de vontade” com o trabalho, relacionamentos, familiares e amigos. Desenvolve um processo de conformismo com as situações, entendo que a derrota é mais comum que as vitórias.

Na primeira e segunda hipótese a pessoa pode apresentar vários desses sintomas que descrevi e, algumas outras variantes, pois cada pessoa reage de forma diferente ao estresse e a ansiedade. O tempo também pode variar entre a fase de estresse e da ansiedade para cada pessoa, em média entre uma e outra pode demorar uns cinco a 10 anos ou menos ou um pouco mais. 

Depois dessas duas fases instauradas e introjetadas em nosso organismo, entramos no processo depressivo, que na verdade é a soma do estresse mais a ansiedade e seus sintomas descritos acima. A depressão em si é o que podemos chamar de “fim da linha”, “fim do túnel”, “Fim do poço”, etc, pois é quando a pessoa já não mais tem percepções das ações, reações e do próprio estado que se encontra. É quando o “quarto ou a cama” é o principal refúgio ou “caverna”, é a escuridão da alma, é quando não percebemos mais as vozes do bem ou do mal, é quando “a toalha” já está jogada, é não ter mais desejo, e nem mais ter vontade de nada, é a dor sem direito a remédio, é não conseguir mais a cura, é a angústia inerente ao dia a dia, é dor da própria dor, “é o tanto faz como tanto fez”, é processo da tristeza no seu máximo, é a amargura mais profunda e irreconhecível, é pior que a morte, é desestruturação do próprio eu, é não crer mais em nada, em ninguém e nem em si mesmo. É a tortura diária. É a depressão.

O resultado da equação entre Estresse mais (+) Ansiedade é igual (=) a depressão. Não tenho muitas formas de tratar a depressão, pois na maioria das formas são necessários medicamentos fortes e específicos, com efeitos colaterais terríveis e muita, mais muita terapia e tempo para recuperação. É muito importante um acompanhamento psiquiátrico e psicanalítico nesses quadros e, o mais importante é a ajuda de outras pessoas, pois a pessoa não consegue tomar ou medicamentos e ir a terapia sozinha. A ajuda é fundamental.

Porém, a maioria das pessoas estão nas duas primeiras fases da depressão, ou seja, estão entre o estresse e a ansiedade, creio que aí é onde podemos iniciar um processo para a restauração, tratamento e busca da cura para esse mal chamada depressão. Pois se chegarmos antes dela ficar instaurada podemos ter mais chances de cura e libertação da pessoa.

Vale então fazer uma avaliação para saber qual o grau de estresse e ansiedade que estou vivendo e a quanto tempo, pois vai ajudar muito no processo antecipado da liberação e cura da depressão.

Chamo esse processo de Autoconhecimento e Autoentendimento, pois no autoconhecimento me avalio e no autoentendimento me aprofundo no que sou de verdade.

Avalie-se, entenda-se, cuide-se, perceba-se, liberte-se e viva mais feliz a vida. 

Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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