por Andrea Pavlovitsch

Qual é o seu ótimo?

Regras, tabelas, dados, números, estatísticas. Lá fora tem um monte de números que tentam justificar a nossa vida. Quantos anos você tem, que número de roupa você usa, quanto você tem no banco? Qual é o desconto, quanto tempo viveremos? Será que acaba tudo no dia 21 de dezembro? Números, número, números. Não me levem a mal, eu adoro os números.

Não sou e nunca fui boa em matemática (e credito isso a minha completa falta de inteligência espacial) mas gosto dos números. No momento travo uma nova batalha com os números que compõem o meu peso. E que me dão uma baita dor de cabeça. Todo médico que eu vou, me dá um diagnóstico. A minha pressão tem que ser 12x8, meu peso tem que ser 65, meu triglicérides tem que estar menor que 150. Com sorte, menor que 100.

Existe uma lista enorme de exigências que devemos preencher pra sermos normais e saudáveis. Mas até que ponto isso é verdade? Meu peso, por exemplo. Sou uma mulher grande, com enormes ossos (e isso não é aquele tipo de desculpa, já que não consigo passar braceletes pelas mãos por conta dos ossos). Nunca poderia pesar, analisando o famoso índice de massa corporal (IMC) o que pesa uma mulher de ossos pequenos, mesmo com a minha altura e idade. Impossível. Peso bom é aquele que você se sente bem, confortável.

Aquele que você coloca uma roupa e acha que está ótima, ou que faz você subir doze lances de escada sem pedir pra morrer logo e pararem logo com isso. Peso ideal é aquele que eu acho ideal. Tenho um amigo cuja pressão é geralmente alta. Ele fala de 16x10 com certa naturalidade e, todas as vezes em que alguém tira a pressão dele, para e olha com aquela cara de estou pensando em chamar os paramédicos, é sério. Hoje, eu dou risada.

Quando a pressão dele cai abaixo disso, ele fica lesado. Dorme sentado em qualquer lugar, não funciona. A pressão dele sempre foi mais alta e ele ainda está vivo! A minha mãe, por outro lado, sempre teve uma pressão que chega, no máximo, a 10 x 6. Quando chega a 9 x 6 ela come alguma coisa, porque começa a sentir uma tontura. Mas se ela some pra 12x8, ela fica passando mal. Então, o que é a pressão ideal? Temos uma lista de ideais na nossa mente, implantada pelos padrões.

Padrão é que a média, aquilo que a maioria das pessoas tendem a sentir. Chegam-se a essas conclusões fazendo estudos em populações e vendo que, quando uma pressão é mais alta, a pessoa infarta, por exemplo. Eu mesma vi um rapaz num Pronto Socorro, vermelho como um camarão, com a pressão 16x10. Então, o que acontece? No fundo o que descobrimos é que cada um tem o seu ótimo. E sim, ele passa pelas sensações que temos a respeito de nós mesmos. Por muito tempo eu fui encanada em pertencer aos números corretos, em ser uma cidadã-padrão. E, sério, isso é muito chato.

Pode ser que o seu peso na balança seja maior (ou até menor) do que a maioria, mas e daí? Você se sente bem? E para responder a essa pergunta é preciso ser realmente muito sincero! Não é achar que deveria se sentir bem, mas de fato sentir-se bem! Seu pé é tamanho grande? Suas médias na escola eram 6? Sim, mas qual é o problema nisso? Einsten nunca foi bom aluno na escola e revelou-se um dos maiores gênios da humanidade. Por que temos esse péssimo hábito de querer pertencer à média? Média é medíocre, é o meio!

Não é uma coisa que realmente nos satisfaça ou nos faça felizes. Pode ser que você não tenha um puto no banco e seja a pessoa mais feliz do mundo. Pode ser que você esteja na tal da terceira idade e se sinta um garoto! O que vale não é o que os números dizem, mas o que nós sentimos. Estamos tão acostumados a seguir as normas, as regras, os médios, as estatísticas que não sentimos mais nada.

Não paramos pra perguntar se aquilo poderia ser aplicado a nos, não aceitamos a condição de diferente. Parecemos todos adolescentes tentando ser aceito pelo grande grupo chamado sociedade, sem perceber que só precisamos mesmo, de verdade, pertencer a nós mesmo. Então, mesmo que a sua numeração esteja meio bagunçada. Mesmo que tenha coisas que você ainda quer mudar em si mesmo, valorize o que você é.

Valorize quem você é, o que você faz de especial e diferente da maioria. Não espere pertencer a nada, a nenhum tipo de rótulo. Não aja como um transtorno bipolar ou como um pressão alta. Você não é um diagnóstico, você é uma pessoa. Precisa ser digno de nota, de olhar, de atenção. Não reclame de não ter a atenção das pessoas se você mesmo não consegue fazer isso para si. Se ajudar, melhorar a sensação de estar na sua pele, é maravilhoso. Mas baseie-se nisso na próxima vez que estabelecer uma meta. Ser você mesmo!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.