por Paulo Bregantin

Ressonância Límbica - Parte 2

O Tratamento então passa por um desenvolvimento do autoconhecimento e o autoentendimento que acontece de forma gradual e estudos sobre o inconsciente e consciente, ou seja, formulando e planificando as ações (conscientes) que o sujeito descreve dentro do ambiente de atendimento. Essa descrição deve ser feita de forma associativa, ou seja, uma associação livre dos acontecimentos em pauta da vida, sempre observando os aspectos que mais chamam a atenção. 

Sim! Descrever as dores e, como elas funcionam desde o início. Cada dor tem um processo de início, meio e fim, sendo aguda ou crônica. Ao falar sobre essas dores o sujeito passará informações que “cairão“ do inconsciente para o consciente, isso acontecerá através dos chistes, dos atos falhos, nas descrições dos sonhos, nas conversas sem nexo, enfim, acontecerá a liberação dos sintomas que será observado pelo profissional que acompanha o sujeito.

 

1. Desenvolver a capacidade de escutar

Ouvir e escutar são coisas diferentes no atendimento analítico e nos relacionamentos em geral (consigo mesmo e com o outro). Ouvir é fisiológico. Escutar envolve exercício – podemos então dizer que a Associação Livre que Freud propõe como atendimento é a utilização do exercício de escutar. Escutar é parte fundamental da aplicabilidade da Ressonância Límbica, pois quando eu me escuto, posso escutar o outro. 

2. Desenvolver a capacidade de observar as ações não verbais

A comunicação é feita de forma verbal e não verbal, ou seja, quando falamos colocamos em prática tudo que ouvimos e aprendemos, porém quando nosso corpo “fala” (ações não verbais), fica muito mais simples perceber o que a pessoa está tentando falar. 

Nisso podemos entender que a “Alingua” de Lacan, ou seja, é o jeito único de cada pessoa se expressar para comunicar o que deseja. As pessoas falam com o corpo o tempo todo, se prestarmos atenção (exercício da atenção) poderemos entender com mais facilidade as dores da alma e as emoções de cada um.

3. Aprender que somos seres que falamos por metáforas e metonímias. O inconsciente e sua topografia

Quando vamos falar sobre nossas dores e angústias na maioria das vezes utilizamos de metáforas e metonímias, pois dessa forma ficamos muito mais aliviados e acomodados, pois usamos situações para descrever nossas emoções. Utilizamos as sensações descritas de forma metafóricas e metonímias para a comunicação. 

Nisso podemos entender o que Freud descreveu como a primeira tópica ou aparelho psíquico que é composto por três sistemas: o inconsciente, o pré-consciente e o consciente. Na segunda tópica, Freud estabeleceu a sua clássica concepção do aparelho psíquico, conhecido como “modelo estrutural” ou “dinâmico”, tendo em vista que a palavra “estrutura” significa um conjunto de elementos que têm funções específicas, porém que interagem permanentemente e se influenciam reciprocamente. Essa concepção estruturalista ficou cristalizada em “O ego e o id”, de 1923, e consiste em uma divisão da mente em três instâncias psíquicas: o id, o ego e o superego.

 

4. Aprender que o outro tem muita influência em nossas vidas

Somos seres interdependentes e não independentes, ou seja, desde que nascemos temos a influência do outro (o Outro em Lacan), pois nosso nome é escolhido pelo outro, nossas necessidades básicas quando crianças são supridas pelo outro, nossos aprendizados básicos morais e éticos são ensinados e impostos pelo outro, nossas crenças e crendices são ensinadas e impostas pelo outro em nossa vida. Quando damos conta de quem somos (Estádio do Espelho – Lacan) já estamos na maioria das vezes perto da puberdade/juventude e, às vezes, até adultos. Entender sobre o Estádio do Espelho e sobre o Outro de Lacan é uma forma de exercitar a Ressonância Límbica em nós mesmos e nos analisando. Exercitando a interdependência ou mutualidade, poderemos demonstrar a capacidade de cada um e desenvolver dentro da pessoa um desejo de ajuda a si mesmo e ajuda ao outro. O amor se manifesta com esse treinamento e a angústia, ódio e depressão são amenizados e apaziguados.

5. Interpretar os relatos de sonhos e perceber os atos falhos são exercícios que desenvolvem em nós a Ressonância Límbica

Todas as pessoas costumam ter sonhos e cometer os chamados ato falho (Lacan) ou chistes (Freud) tanto nos sonhos como nos atos falhos podemos analisar a forma que cada pessoa explica (relata) o que aconteceu e, através do relato poderemos interpretar o aparelho psíquico ou a topografia onde estão acontecendo as situações descritas. A aplicabilidade disso pode ser feito com muita tranquilidade se atentar a “forma” que as pessoas descrevem (relatam) o que e como aconteceu o sonho e, em meio a essas descrições (relatos) muito facilmente serão percebidos os atos falhos, esses atos falhos ou chistes são na realidade o inconsciente tentando “gritar” com o consciente do outro – nesse caso o analista. Quando evidenciamos isso a ressonância límbica se manifesta e aí podemos nos achegar a si mesmo e ao outro.

6. Despertar o amor como forma de ação para a diminuição das angústias, melancolia e fobias

As angústias, melancolias e fobias são reclamações comuns das pessoas que buscam os profissionais para tratamento psicanalítico. A ressonância límbica se torna eficaz nesses quadros, pois leva a pessoa a o autoconhecimento e autoentendimento, através da separação do que é necessidade básica e desejos. Pois temos dentro de nós as necessidades básicas que Freud nos descreveu como Pulsão de vida (Eros) e Pulsão de morte (Tanathos). Entendendo que todos nós temos essas pulsões (necessidade) não temos como administrar, porém, quando entendemos os princípios do prazer e de realidade – Freud, poderemos oferecer mais possibilidades para o entendimento das angústias, melancolias e fobias.  Pois no princípio de realidade que é o adiamento da “gratificação” ficará mais claro para a pessoa e isso diminuirá as expectativas, com isso a ansiedade e por consequência a angústia, melancolia e fobia.

Todas as mudanças estão dentro de nós. Todos nós podemos viver esse processo chamado Ressonância Límbica.

*Não deixe de conferir a primeira parte sobre ressonância límbica e conheça sua origem.  

Confira também: Parte 1 • Parte 2

Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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