por Andrea Pavlovitsch

Tudo é nada

Sempre fui empolgada com as coisas. Ficava toda animada com as festinhas infantis dos meus amiguinhos. Sempre queria ir à sorveteria e esperava rezando o momento do meu avô me levar à pracinha para brincar no playground, e depois comprar um sorvete. Sempre fui de aproveitar os momentos bons e achar isso bom. Até que descobri que isso é bom, mas a maneira como eu estava fazendo não.

Empolgação é pobre. Parece que não vai ter mais e que aquela será a sua última chance de conseguir uma coisa legal. Na verdade, isso tem muito a ver com o medo da falta. Ok, tem hoje, mas e amanhã? É encher a cabeça de maldade e tratar as pessoas e as situações como prêmios que elas não são. As coisas são como são e as pessoas são o que são. E haverá momentos felizes e momentos tristes na sua vida independente disso. Mas então como acabar com essa empolgação medrosa? Simples. Desapegando.

Pense em uma coisa que é natural para você. Como por exemplo, entrar em um shopping e comprar uma blusa que viu na vitrine. Agora pensa naquela pessoa que não pode fazer isso. Que está lutando na vida, brigando com o mundo por um salário melhor e que vê você simplesmente entrar no shopping e comprar uma blusa. Aquilo para ela é o máximo e possivelmente ela sonhará com aquele dia. Provavelmente não chegará este dia, porque ela já está na falta. Já está no “ela pode e eu não”. A energia que ela emana é de falta. E é mais disso que o Universo trará para ela.

Eu gosto daqueles programas em que pessoas necessitadas ganham uma casa nova. Acho o máximo o trabalho que eles fazem, como podem transformar barracos inacabados em verdadeiros palácios. E acho engraçado quando um dos felizardos ganha e fala: “Nossa, legal, ficou bom”, e o apresentador faz aquela cara de decepção, esperando a pessoa chorar de emoção porque conseguiu aquilo. Que bom que ela conseguiu, isso quer dizer só que a energia dela trouxe aquilo para ela. E quando a pessoa trata tudo como natural, é mais disso que virá.

Para algumas pessoas comprar um helicóptero ou viajar para o exterior é natural. Elas tratam aquilo como dia a dia. E mais deste “dia a dia” vem pra ela. Não é não ser grato, mas não ser empolgado. Se jogar no chão da loja de helicópteros (existe uma loja para isso?) e chorar de alegria de realizar aquele sonho. Você já imaginou um Roberto Justos da vida fazendo isso? Acho que não.

Não é não ter alegria também. É sim para reconhecer o nosso valor, e até comer uma pizza com os amigos para comemorar, mas aí é levantar de manhã e pensar: “Beleza, isso já foi. Já passou. O que teremos para hoje?”.

O ser humano é um eterno insatisfeito. O que nos move na vida é aprender, é saber, é conquistar. O caminho sim é mais importante do que a chegada e não adianta entrar em um dramalhão por isso. Porque se você se empolga, você está dizendo para o Universo que aquilo não é pra você. Fica repetindo aquela frase: “Acho que estou sonhando”, e aí acorda, né Cinderela? 

A partir de agora trate tudo o que chegar em você como nada. Tudo é nada. As coisas ruins são nada. As coisas boas são nada. Afinal de contas, estamos só de passagem e o Universo é biliardário! Você conquistou porque mereceu. E, acredite, ainda merece muito mais. Sempre.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.