por Andrea Pavlovitsch

Tudo novo de novo

E no final desta sexta-feira, feriado, acabo de assistir ao novo seriado da Globo, chamado Tudo novo de novo. Não tem ninguém em São Paulo, todos estão viajando, curtindo o feriado. E eu estou há dias pensando no que escrever. Quando vi o seriado pensei: “Poxa, bom nome este”. Estamos sempre recomeçando. Fazendo, de novo, as mesmas coisas. Num tempo em que tudo é rápido (os amores, os empregos, as roupas, os celulares) é fácil se perder e repetir a mesma coisa. O mesmo padrão! Isso, nós somos movidos a padrões. Padrões dos quais não nos damos contas, que estão lá, escondidinhos no nosso inconsciente só esperando uma bela oportunidade de serem repetidos.

Sabe aquelas mulheres que reclamam que só saem com homens casados. E o pior é que às vezes elas nem sabem disso, só descobrem depois de envolvidas? Ou aquelas pessoas que começam as coisas e não terminam? Ou que sempre tentam um novo negócio que desta vez vai e tudo acaba pelo ralo novamente? Pois é, estas pessoas (assim como nós) estão repetindo os mesmos padrões.

E não adianta. Podemos começar e recomeçar, mas se mantivermos a mesma cabeça, o resultado será o mesmo. Por cabeça vamos entender aqueles pensamentos profundos que ficaram no nosso inconsciente por anos há fio. Que vimos um pai ou uma mãe repetindo, que vimos num filme, ou que aprendemos sozinhos, mas não conseguimos acreditar no contrário.

Conheci uma amiga que só atraía homens mais pobres do que ela. Não que isso fosse um problema, afinal de contas estamos todos na roda da economia, mas estes homens nunca tinham nenhuma ambição. Eram pessoas que ganhavam pouco e achavam que aquilo era o suficiente. Minha amiga, pelo contrário, era doida pelo mercado do luxo, por bons Manolos, Dior, Lacrouix e Daslu.

Ela não entendia o que acontecia, mas mantinha esta atração pelos porteiros, motoristas e toda a sorte de subordinados que, no final, só a faziam sofrer. Um dia, numa bela terapia, ela descobriu o que a atraia para eles: o poder. Ela se sentia poderosa tendo mais contatos, mais dinheiro, mais cultura, ou seja, lá o que o fosse que ela tivesse a mais. Desde então ela parou com isso e começou a procurar o seu poder em si, sem precisar de ninguém que a fizesse se sentir melhor. Bom, ela arrumou um belo marido que, não é rico, mas é super esforçado e ambicioso e, com certeza, vai chegar lá.

Casos assim são tão comuns nas nossas vidas. O que não podemos é parar e achar que é carma, que é Deus quem quer. Somos nós que queremos, que desejamos inconscientemente porque alguma coisa sobre nós precisamos aprender. Toda vez que uma situação se repetir muito na sua vida, das mais simples como nunca achar uma vaga boa de estacionamento, até as mais complicadas, pense no que você ganha e no que perde com aquilo. Até nas situações de maior sofrimento nosso inconsciente ganha alguma coisa. Por exemplo, lembre do seu filhinho doente que, no final, só queria um pouco mais de atenção da mamãe.

Sim, somos assim com o Universo. E ele, como uma boa mãe, cuida de nós quando precisamos. Mas não nos mima! Isso não. Ele quer que a gente aprenda e recoloca as mesmas situações. De novo e de novo. Até que aprendamos. Vamos começar tudo novo? De novo? Sim, e que tal de uma maneira diferente desta vez. Sem os vícios e os desejos do passado. Novinhos, como uma folha em branco, pronta para ser reescrita.

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.