por Andrea Pavlovitsch

Vamos falar de amor?

Nossa, seu coração deve até ter disparado com a pergunta acima, né? Até parece que eu estou te chamando para uma DR (discutir a relação) e é meio isso mesmo. Vamos falar da diferença entre atração sexual, paixão e amor.

Atração sexual é quando eu me sinto sexualmente atraída por uma pessoa. Eu olho aquele cara passando e sinto um formigamento no corpo. É como se alguém tivesse te dado um choque elétrico. Seus genitais te lembram da existência deles. Sua respiração fica ofegante, dá para ver o peito subindo e descendo. Você não consegue tirar os olhos de partes daquela pessoa, mesmo que, em um primeiro momento, prefira fingir que não está vendo. Quando ela entra na sala, enche a sala.

Atração sexual é o primeiro estágio. Se essa atração se perpetuar, vira paixão.

Paixão é quando a atração é muito forte e você não consegue parar de pensar na pessoa. Pensa em uma vida com essa pessoa, em fazerem amor em todos os cantos do planeta (ou do seu prédio, como preferir). Pensa em como será que ela será como mãe ou pai. Pensa, pensa, pensa e, na maioria das vezes, nem mesmo conhece a pessoa para justificar seus devaneios. A paixão cega. Não te deixa ver os problemas e defeitos dos outros ou te dá a sensação de que aquilo é passageiro. Seus sentidos estão todos ocupados pela imensa atração que aquela pessoa exerce sobre você. Você não precisa comer ou trabalhar. Só vem a pessoa na cabeça, o tempo todo. Se vocês sentiram atração um pelo outro e se renderam a paixão, vem o próximo estágio. Ou não.

E é aí que os problemas começam. O amor é quando sim, você já percebeu a enrascada na qual você se meteu. Ou não, se a pessoa for mesmo legal. Amor é aquele estágio em que as coisas acalmam e começa uma intimidade real. E por intimidade eu não falo de sexo, eu falo de uma intimidade suficiente para que o outro te veja interiormente. Por dentro e por fora.
A maioria das pessoas ainda morre de medo desta fase. Porque é aqui que ficamos absolutamente vulneráveis. Na verdade não é uma vulnerabilidade real, é uma fantasia de vulnerabilidade. Se eu me mostrar como eu sou será que o outro vai aceitar? Se ela descobrir que eu tenho defeitos, problemas, que eu minto, roubo, penso sacanagem o dia todo, será que ela vai me amar de verdade? Se nem eu mesmo aceito isso, será que outra pessoa vai aceitar?

É difícil porque precisamos que a pessoa nos leia por dentro. Não é que não teremos segredos, mas a pessoa simplesmente te conhece. Sabe porque os adolescentes têm tanta vergonha da própria mãe nesta fase? Justamente por isso. As mães têm uma intimidade e sabem coisas sobre eles que nem eles mesmos sabem. O medo da intimidade é um dos fatores mais determinantes no medo de amar. Não é o único, mas é muito forte.
Para amar é preciso querer se expor. É preciso estar disposto a ser si mesmo. Ninguém sustenta uma máscara por muito tempo, é preciso querer que essa máscara seja arrancada. E, no fundo no fundo, é isso que queremos muitos.

Nunca desista de amar

Queremos que a sensação de estarmos sozinhos no mundo passe. Que mais alguém, além de nós mesmos, saiba sobre nossos sonhos, pesadelos, medos e coragens. Queremos alguém que seja uma testemunha das nossas vidas mas, ao mesmo tempo, temos medo que essa pessoa nos traia. Não conseguimos confiar o suficiente para amar. E não, aqui eu não falo de amor incondicional. Aqui o amor ainda é condicional mesmo. Amamos o outro esperando sempre algo em troca. Que nos ame de volta, que possamos confiar de olhos fechados, que segure o nosso cabelo se estivermos vomitando. Se não tem isso é tudo, atração, paixão, mas não é amor. Ainda.

Ainda porque ele pode ser construído. Podemos construir o amor com alguém aprendendo a confiar. Mas isso só fazemos com uma pessoa que seja realmente especial para a gente. E isso não tem a ver só com uma atração física ou uma paixão. Tem a ver com uma coisa muito, muito profunda em nós. Um reconhecimento de mim no outro. Não dá para amar alguém onde não nos reconheçamos. Não dá para amar, tão pouco, se não reconhecemos a nós mesmos.

Para amar é preciso entrega. É preciso confiança. Então, para amar, é preciso sentir atração, se apaixonar mas ter a coragem de passar essa barreira imaginária. O amor é complexo, difícil, mas ensina demais. Nos tornamos pessoas melhores depois dele.

Não desista se nunca sentiu isso. Não desista se sentiu isso e se decepcionou. Desistir do amor é deixar uma parte da sua vida congelada. Amar é difícil, porque mexe com coisas profundamente arraigadas em nós mesmos. Mas ele nos liberta de uma série de coisas. E sim, amar nos faz mais felizes.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.