por Ellen Mützemberg

Viver a vida

Andando pelas ruas de São Paulo, pude perceber que há tanta coisa bonita de se ver, diferentes tipos de pessoas, manias, cheiros, carros, pássaros, árvores... Você já parou pra olhar o que tem ao seu redor? Às vezes estamos com tanta pressa de chegar a algum lugar que nem percebemos as maravilhas que a natureza e a cidade pode nos proporcionar.

Dizem que os paulistas são estressados, gostam de fazer tudo rápido e tudo tem sua hora para acontecer, assim como dizem que os baianos não têm pressa pra fazer nada, são calmos e andam “quase parando”. Isso depende de cada pessoa, veja você! Você se cuida? Você presta atenção em tudo o que está acontecendo do seu lado? A vida passa tão depressa meu amigo que quando pensamos que aproveitamos de tudo, algo de surpreendente acontece para você dar valor à vida que tem. Você sabe como é a vida de um deficiente visual? O cego vê o mundo com o toque, com a audição, sobretudo com a sensibilidade que adquiri por causa da falta do olhar. É o tipo de pessoa que dá um belo exemplo pra você que consegue enxergar o mundo com os seus olhos. Experimente por um dia, por uma hora talvez, fechar os olhos e tentar sentir o mundo, ouvir o som do cantar dos pássaros, sentir o vento e o barulho que ele faz quando passa por ti.

Louco não é? Pois bem, aproveite o que a vida tem a lhe oferecer, ande, caminhe, corra, sinta, beije, olhe, mas olhe com vontade, valorize o seu olhar. Você verá que existem detalhes que podem fazer diferença no seu dia a dia, não deixe a vida e/ou Deus te provar que o que você tem de mais valioso pode um dia acabar. De fato um dia acaba sim, pois todos morrem, aliás, essa é a única certeza que tenho na vida, de que um dia iremos morrer, pode ser hoje, amanhã, mês que vem... Um dia não estaremos mais aqui. Aproveito para te perguntar, se você soubesse que iria morrer hoje, estaria satisfeito consigo mesmo? Você teria aproveitado tudo? Teria observado cada detalhe do seu dia? Você estaria com a consciência tranqüila por dizer àquela pessoa que a ama muito? Teria visto tudo o que tinha para ver e valorizou?

Por isso que eu digo e repito, não viva a vida com muita pressa como os paulistas vivem, mas também não viva tão devagar ao ponto de quase parar como os baianos. Seja leve, seja breve, olhe, pense e observe. Sinta, ame e não esquece. O que vemos hoje pode não existir mais amanhã, como acontece com aqueles que do dia pra noite podem perder a visão.

Meu nome é Joana e sou deficiente visual há 12 horas.

Ellen Mützemberg

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Estudante de jornalismo, apaixonada pela leitura e por consequência disso, acaba tendo uma coleção de livros. Nas horas vagas procura tirar fotografias. O que não pode faltar em sua bolsa e no seu dia a dia é um bom livro.

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