por Regine Luise

Você vai voltar se for amor…

 “O amor é um sacrífico espontâneo, você faz, mas nem sente”.

 

Outro dia desses ouvi essa frase e achei incrível. Aparentemente uma definição tão simples do amor, mas que na verdade se perde no meio de suas próprias complexidades.

Desde quando o amor é simples e fácil?

Nunca vivi ou senti um que fosse... Nem tenho conhecimento de alguém que já tenha o feito também. Acredito mesmo que o amor seja um ato de renúncias diárias. Quando você permite que alguém faça parte da sua vida e passa a morar no coração desse alguém, sua vida nunca mais será a mesma. Por motivos óbvios.

Com todo espaço e respeito pelo amor próprio (que indispensavelmente precisamos ter), amar alguém é ser dois. Os pensamentos, as ações, os gestos, tudo é duplo, dobrado, somado, multiplicado e até dividido. Nunca subtraído.

Amor é soma de ideias, ideologias, gostos, preferências, cores, sabores, estilos de vida. Amor é junção de braços, cabeças, bocas, corpos, vidas. Amor é história contada na primeira pessoa do plural. Amor é sacrifício, é entrega, é doação. Você sabe que terá que abrir mão em algum momento, de alguma coisa. Se não for no começo, será no meio. Com isso, com certeza, você evitará um fim.

Não existe relacionamento sem troca, sem união, sem abrir mão. Talvez os amigos dele não gostem de você (por qualquer motivo), mas você vai aprender a conviver com eles. Quem sabe até aprender a gostar deles. Pode apostar, você vai tentar agradá-los só para abrir um sorriso no rosto do seu namorado. Eu aposto, você vai.

Talvez sua família nem goste dele. Por receio, suspeita, superproteção. Você vai respeitar a opinião dos seus pais, mas vai defender o homem que você gosta. Vai insistir nessa relação quantas vezes achar necessária, quantas vezes o seu coração mandar. Sua mãe vai dizer que vai quebrar a cara, seu pai vai fazer careta e sua vó vai dizer: “cuidado para não se machucar de novo”, mas você vai. Vai enfrentar família, amigos, cachorro e quem mais aparecer na sua frente. Se for muito mais que paixão, se ele tirar sua respiração, se você amá-lo de todo coração, pode apostar comigo menina, você vai.

Vai abrir mão de muita coisa e repensar conceitos que idealizou uma vida inteira. Vai ter medo, vai ficar na dúvida, mas vai. Vai colocar na balança todos os prós e contras. Vai relembrar cada momento que tiveram juntos como se fosse ontem. Vai reler cartas, e-mails e rever fotos. Vai refletir sobre o que você quer e o que você precisa. Vai pensar o que ele fez e faz. Vai meditar sobre quem ele é e o quanto está disposto a ser melhor por você. Ah menina, você vai.

Vai chorar, vai sorrir, vai ficar na dúvida. Vai escrever poema, música, um texto inteiro. Vai ter vontade de pedir conselho e vai desistir por já saber as respostas. Vai pensar no que as pessoas vão achar e, no momento seguinte, vai desistir de se preocupar com a opinião alheia. Você vai optar por aquilo que fizer seu coração sorrir, menina. Pode apostar que vai.

Você também vai ter muito medo de expor seu coração de novo. Vai querer agir com cautela, mas vai transbordar.
Vai entender finalmente que amor não deve ser economizado, mais jamais cedido com desperdício.

Vai lembrar os beijos, abraços, olhares, sorrisos e silêncios. Vai pensar nos pontos que combinam e no que falta para dar certo. Vai analisar com cuidado o quão disposta está para entrar nesse barco, e, principalmente, quais sacrifícios está disposta a viver em nome desse amor. Mais que isso, você vai olhar no fundo dos olhos dele e ouvir o quão disposto ele está para lutar por vocês dois. Vai esperar com as mãos suando e o coração disparado uma prova de amor.

Quando (e se isso realmente acontecer), você não terá mais o controle das suas reações. A razão vai cair por terra. O amor vai saltar, pular, transbordar. O seu coração vai até chorar de emoção, alegria. Se ele realmente for o amor da sua vida, eu aposto contigo menina, você vai.

Regine Luise

+ artigos

Jornalista, poeta e romântica nas horas vagas. Regine Luise ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem.