por Andrea Pavlovitsch

A gente se engana

Quem aí quer achar o amor, levanta a mão! Nossa, calma gente, um de cada vez. Aquele amor mesmo, sabe? De verdade? Aquele cara ou aquela mulher que faça você pensar na criatura o dia todo? Aquela pessoa que você sabe que foi feitinha para você, depois de muito procurar. Aquele ser humano. Aquele, específico, sabe?

Pois é, procuramos por isso. Seres humanos não foram feitos para estarem sós. Pode ser que esse seu amor nem seja romântico, e nem humano (existe gente apaixonada por seu animal), mas aqui vamos falar do amor na expressão romântica da coisa. Bem assim mesmo.

O problema de querer tanto é um só: expectativas. A gente acaba mesmo criando um montão delas. Quer uma lista enorme de coisas de uma pessoa “ideal”. E não existe isso de ideal, não é mesmo. Colocamos isso na nossa lista e vamos para o mundo, exigências em punho, e é aí que a coisa toda entorta.

O problema não é achar as características nas pessoas certas, mas o quanto nós encaixamos, como um Lego, as características certas nas pessoas erradas. Somos escolhidos e adaptamos as nossas necessidades àquela pessoa específica. Quantas vezes eu já ouvi pessoas dizendo, “mas eu não quero outro, quero ele”. Apega-se à ideia do que o outro é, quando na verdade aquilo nem existe.

Pega informações e adapta. Na realidade, isso é um mecanismo de defesa. Na ânsia de encontrar alguém e de ver nossos sonhos românticos realizados, nos dissociamos da realidade. Por dissociação entendemos viver num mundo de fantasias e ilusões, mais parecido com a Disneylândia.

Amar é ótimo. Apaixonar-se é sensacional, mas tira um pouco da nossa razão. Por isso é importante, importante mesmo saber com quem a gente está se metendo. Reflita se a própria pessoa, na ânsia dela por ser amada, também não se adaptou às suas necessidades. Se não diz que adora rock, quando o forte mesmo é sertanejo. Que adora uma balada, quando na verdade curte um filme com pipoca no sofá. Essas, e outras diferenças até mais importantes, é que serão decisivas no futuro. Que vão realmente dizer se os dois foram feitos um para o outro, ou só são um roteiro adaptado. Pense nisso!

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.