por Paulo Bregantin

A mutualidade e a longanimidade para o ser humano

A Deus é constituído de poderes, ou seja, ONIPOTENTE, ONIPRESENTE E ONISCIÊNTE.

A onipotência significa que todo o poder foi, é e será sempre de Deus, sobre tudo e todos, todo o tempo, o tempo todo. O poder é algo que não pode ser compreendido na mente humana e, por isso, não cabe aqui ficar tentando falar do que se não pode, ou não sabe.

A onipresença é uma característica dos “deuses”, e significa estar presente em todos os lugares, em todo o tempo, o tempo todo, ou seja, é uma multiforme de se apresentar. Isso significa que é algo atemporal e também fora do alcance humano, pois a onipresença trabalha em uma ordem NÃO cronológica, é totalmente fora do tempo chronos e humano, ou seja, é da ordem do tempo kayros.

A onisciência é estar presente em todas as mentes de todos os seres vivos sejam eles nos mundos animal, vegetal e mesmo no inanimado, isso é, uma presença dentro das emoções, pensamentos, reflexões, sentimentos, lembranças, etc. É ficar dentro do ser o tempo todo, todo o tempo. Então, a onipotência, onipresença e a onisciência são características de DEUS, ou um SER superior onde está contido tudo dentro do todo e o todo dentro do tudo, o tempo todo, todo o tempo.

Isto posto, podemos fazer uma análise ou avaliação do ser humano e suas pseudoformas de onipotência, onisciência e onipresença. Sim! Pois como seres humanos, temos uma tendência de achar que temos essas características, e isso pode ser a causa de muitos problemas no âmbito de autoconhecimento e relacionamento uns com os outros. É fundamental que tenhamos em mente que esses poderes que foram descritos acima NÃO nos pertencem e, assim sendo, não podemos fazer uso deles, pois seria uma apropriação indevida de algo que não nos pertence.

É fundamental saber que somos seres limitados e nossos poderes são inadequados para tratar de assuntos relevantes para a vida, por isso, para suprirmos essa deficiência, teremos que aprender nossas diferenças e as diferenças de outrem e que somos dependentes uns dos outros e não independentes. É fundamental o aprendizado da mutualidade e longanimidade, pois elas serão a base para fugirmos dessa pseudodoença que o ser humano tem de achar que tem todo o poder, de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo e estar dentro de todas as pessoas (mente) o tempo todo.

A mutualidade pode ser muito útil para a diminuição dessa doença, pois nela observamos que todos os seres estão interligados e que ninguém é melhor que ninguém nesse mundo, ou seja, eu preciso de você e você precisa de mim e, assim, devemos viver, pois quando aceito que dependo do outro para ter e ser, desenvolvo o processo de perdão e amor para comigo mesmo e meu semelhante.

A mutualidade é uma forma de cultura que nos fará viver mais e melhor. Não existe mutualidade enquanto pensarmos somente em nós mesmos e ficarmos presos em nossos “projetos umbigais”, achando que o mundo roda em torno de nós mesmos. É de suma importância uma retomada nas divisões de posses de inteligência, sabedoria e materialismo, pois o acúmulo só faz mal.

Pense, se eu sei tudo, tenho tudo e tudo é meu, logo não preciso de ninguém, porém, se todos pensarmos assim, destruiremos o mundo. É isso que queremos? A mutualidade é abrir mão dessa pseudo-onipotência, onisciência e onipresença que tanto tem contaminado nossas vidas.

A mutualidade é a criação de uma cultura de seres mais pacificadores e menos ostentadores, uma cultura de mais seres amorosos e menos odiosos e conquistadores. É a cultura de equilíbrio nas ações e reações, e diminuição do desequilíbrio nas ações e reações, ou seja, buscando a assertividade e diminuindo os processos de passividade e agressividade que tanto nos incomodam.  

Mutualidade é vida incomum com menos somas e multiplicação e mais divisão e subtração. A mutualidade é viver em dependência dos outros seres. A mutualidade é uma forma de aceitar as pessoas e suas diferenças. A mutualidade é uma forma de vida onde o amor e a paz verdadeiramente reinem. A mutualidade diz respeito à transformação do ser para algo bom e melhor. A mutualidade é a diminuição das manipulações influenciadoras para o mal.

Paralelo à mutualidade temos a longanimidade, pois ela é o processo de paciência que devemos ter conosco e com os outros, pois na longanimidade encontraremos um oásis no sentido de entender a si mesmo e aos outros, é o processo pelo qual alcançaremos uma vida mais plena e com objetivos mais factíveis e realistas.

A longanimidade é um processo de entendimento e não um objetivo. Ela é, sem dúvida, a escalada mais profícua que um ser humano pode iniciar em sua vida, pois é através dela que as conquistas de sabedoria acontecerão. A longanimidade é fator decisivo para a longevidade humana, pois, sem ela, estamos fadados à extinção em curto espaço de tempo. A longanimidade ameniza em nós o desejo de busca da onipotência, onisciência e onipresença, deixando-as para quem são de direito. A longanimidade é onde encontra-se o processo do perdão, do aceitar o outro, do aceitar a si mesmo, é onde a paz reside e faz morada. A longanimidade é onde as manifestações emocionais encontram morada e tranquilidade. A longanimidade gera frutos para a eternidade, e para as gerações futuras, pois se não exercermos essa cultura, teremos gerações de seres sem paciência, sem perdão, egoístas, mentirosos, que buscam a porfias, guerras e destruições.

Então, para tentarmos amenizar essa doença da pseudo-onipotência, onisciência e onipresença no ser humano devemos buscar a mutualidade e longanimidade. Podemos começar isso agora em nossas vidas, pois se esperarmos mais corremos o risco de perder o “fio da meada” e o “bonde da vida” para sempre. Comece hoje mesmo, pois isso fará bem para você e todos os que te rodeiam.

Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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