por Marcos de Paula

E mais um final... De ano

Mais e mais ouvimos como o tempo está passando rápido... Parece que foram ontem as festas e os encontros comemorativos do natal e ano novo, dando-nos uma sensação de rapidez em tudo, principalmente quando entramos no segundo semestre e logo começamos a projetar o final de mais um ciclo de tempo e isso nos permite pensar se é o tempo que está mesmo correndo ou se nós é que estamos nos acelerando cada vez mais, numa dinâmica de ganhar a vida, sem necessariamente vivê-la de uma maneira mais harmoniosa e cuidadosa.

Essa percepção de rapidez do tempo acontece também porque nos envolvemos crescentemente com compromissos pessoais e profissionais que nos cobram, na maioria das vezes, respostas rápidas, pensamentos ágeis, visões e entendimentos abrangentes, como se o tempo fosse mesmo dinheiro e qualquer vacilo pudesse comprometer o sucesso e as posições conquistadas dentro e fora da família, residindo inclusive alguns medos e angustias pela possibilidade de perda de status e/ou poder. 

"Saborearmos de uma maneira melhor cada etapa de nossa (con)vivência coletiva e pessoal.

Toda essa sensação de o tempo voa está associada ainda ao nosso estado emocional, pois, se estamos ao lado de pessoas que nos fazem bem e nos deixam felizes, sentimos que o tempo realmente passa depressa, mas, se estamos numa fila grande de um banco, cada minuto nos parece uma eternidade e assim vamos nos irritando, cada segundo que passa nos deixa ainda mais angustiados e até mesmo revoltados, pois sempre temos outras coisas pra fazer.

Uma das possibilidades de repensarmos essa pressa moderna é trabalharmos para que o tempo possa ser o nosso aliado e não o nosso algoz, como um carrasco que nos tira a chance de vivenciarmos a vida dentro de um tempo e não o tempo dentro de uma vida, ou seja, saborearmos de uma maneira melhor cada etapa de nossa (con)vivência coletiva e pessoal, pois o tempo passa sempre na mesma freqüência e em qualquer relógio.

Marcos de Paula

+ artigos

Marcos D. de Paula é psicanalista, atendendo adolescentes e adultos na zona sul de São Paulo. Participa também do grupo Big Riso, voluntários que se vestem de palhaços e visitam hospitais do Grande ABC e de São Paulo, levando alegria e descontração, dentro de uma perspectiva de humanização hospitalar.