por Vander Rocha

Efeito reverso

No desenrolar de nossas vidas, não damos aos nossos momentos a necessária reflexão. Deixamos que os acontecimentos rolem e perdemos a oportunidade do aprendizado.

O que mais vemos, ouvimos e vemos em nosso dia a dia são pessoas reclamando, criticando, censurando, maliciando.

O negativismo impera e a pessoa negativa necessita de outra igual para compartilhar suas lamúrias. Busca fazer de nós o seu par.

Se olharmos para as redes sociais, lá veremos muitas postagens que traduzem apenas críticas, censuras e boatos.

Malicia-se tudo, fala-se mal de tudo. Há programas televisivos dedicados tão somente ao infortúnio, às mazelas, ao deprimente. A título de explorar o belo, difundem a volúpia. Pessoas se regozijam em difamar instituições, em denegrir pessoas, em insinuar desacertos, só destroem.

Há uma lei simples de entender, válida na física e na vida. É a lei de causa e efeito. 

“O que semear a perversidade segará males; e com a vara da sua própria indignação será extinto”. (Provérbios 22:8.)

 

Se rastrearmos em nós as nossas atitudes, nelas esbarraremos com a causa de nossas aflições, porém, caso não a encontremos à primeira vista, isto não significa que ela não exista, pois não existe resultado sem agente. 

Todos os atos praticados, nocivos ou benéficos, as palavras emitidas, construtivas ou destrutivas, pensamentos ruinosos ou criativos, atingem o objetivo e produzem ação reflexa, retornando ao ponto de partida. Nesse momento, se emitido o negativo, a pessoa autora sofre com o retorno. Não sabendo que ela é a causa de sua própria dor, pragueja ou ora pedindo milagre.

O homem é o artesão de suas desventuras. Contudo, não admite e culpa, acha mais simples desviar o olhar e acusar a má sorte, a ocasião adversa, encontrar desculpas e culpados sem olhar para si próprio. E, nesse processo, evoluem as consequências até o momento da dor insuportável.

A dor pode vir do corpo material por contusão ou por moléstias genéticas ou adquiridas. A que aqui é tratada é a dor evolução, a dor aprendizado; propriamente o sofrer por consequência dos pensamentos, das palavras e das obras. 

Todas as coisas que existem no Universo vivem em regime de afinidade. Não vou me ater em explicações complexas da física, nem adentrar nos meandros da filosofia para alcançar a explicação sobre a correlação entre origens e decorrências.

A sintonia harmônica entre os seres viventes, a sintonia espiritual, é algo que cada um de nós pode comprovar na própria vivência hodierna. O exemplo simples, experimentado por muitos, é quando entramos em um ambiente e nos sentimos bem ali, ou, o inverso, nos dá vontade de sair. Outro exemplo de reciprocidade é quando pensamos em alguém e logo depois esse alguém nos liga. Por analogia a esses arquétipos, atraímos para nós os nossos afins.

Dr. Samuel Hahnemann, médico, descreveu sobre a enfermidade, a saúde e a origem delas. Disse ele que tanto a saúde como a doença tem origem na mente, nas emoções, nos sentimentos e em todas as sensações do indivíduo, sendo ele um ser constituído de Corpo físico, Espírito e Corpo mental. As manifestações físicas são a parte mais grosseira ou mais densa do corpo humano. (Christian Friedrich Samuel Hahnemann Meissen, Saxônia, 10 de Abril de 1755 - Paris, 2 de julho de 1843. Foi o fundador da homeopatia em 1779).

Também, o intelectual alemão Karl Emil Maximilian, considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia, em suas reflexões em seus artigos sobre “Economia e Sociedade” procura explicar os acontecimentos da vida atribuindo um "motivo justo", e uma "finalidade proveitosa" para todos os acontecimentos com que se depara o homem, inclusive o sofrimento. (Karl Emil Maximilian, (Munique, Alemanha, 21 de abril de 1864, Munique, 14 de junho de 1920).

A partir do instante que nos conscientizarmos de que vivemos a consequência de nós mesmos, certamente, pararemos para refletir sobre esse impositivo, inerente ao aprendizado humano, entendendo que a todo ato, a todo pensamento, a toda palavra, corresponderá a uma reação semelhante em retorno. Somos produtos de nós mesmos.

Quer que o mundo melhore? Melhore a si. Quer que o mundo mude? Mude a si. Quer que a estrada seja boa? Sintonize-se com o bem. Tenhamos em nós um bom efeito reverso.

Vander Rocha

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Administrador, professor e palestrante. Autor de diversas obras literárias de temáticas espirituais, entre outras. Além disso, é membro da Academia Popular de Letras do Grande ABC.