por Andrea Pavlovitsch

Garota: você pode gostar de sexo!

Em que século estamos mesmo? Ah, XXI. Jesus já se mandou há mais de dois mil anos, um montão de coisas aconteceu no meio do caminho. Passamos por fases de matriarcado, de patriarcado, de recessões e de guerras. Marchamos, queimamos sutiãs, mas, até hoje, não conseguimos tirar o sexo de um lugar fechado e escondido debaixo da nossa cama.

Sim, falamos mais disso. Mas não fazemos o tanto que falamos. Temos medo. Medo da reação das pessoas, medo de demonstrar o que gostamos e quem somos. Machistas, ainda pensamos que, se colocamos muitas “opiniões” na cama, o cara vai achar a gente vagabunda. Pior. Eles vão achar mesmo. Mesmo que ele seja o terceiro cara da sua vida e o que você faz é deixar seu corpo falar, ainda assim ele pode ter uma opinião contrária. 

Sim, isso é só uma opinião. O que ainda não entendemos é que não existe gente boa ou ruim de cama. Existe sim uma coisa chamada química. É uma mistura física e psicológica de outro ser humano que nos chama para o sexo. É como se não conseguíssemos ficar perto daquela pessoa sem tocá-la, sem sentir aquela coisa boa que o nosso corpo responde perto dela. Mas passamos a história acreditando que isso é errado e, no final, é errado para gente mesmo.

Os consultórios estão lotados de casais com problemas sexuais. As pessoas têm medo de se tocarem, medo de se exporem por um lado. O oposto é o que vemos por aí com letras de músicas absurdas de óbvias (de conteúdo muito sexualizado) com que saindo pela tangente da nossa repressão. Ainda não chegamos a um equilíbrio. Na igreja é para procriação, no cinema é por prazer. Tudo ainda é muito confuso e não sabemos o que fazer com o que a gente sente. Deixar? Não deixar? Gostar ou não gostar? O que diabos a gente quer afinal? Transar ou não no primeiro encontro? 

As mulheres ainda sofrem mais sim. Os homens, na sua maioria, ainda falam mais sobre isso e são mais estimulados (até negativamente) para aceitarem a sua sexualidade. O sexo deles é para fora, assim como os órgãos genitais, o nosso é para dentro. Tudo escondido e esquecido. Tudo delicado. Solte alguma coisa dentro de uma roda de amigas finas para você ver a reação. Todos te olham com cara de “isso pode ser dito em público?”. Sim, pode, qual é o problema? Claro que a sua intimidade com o seu amor é sua! Claro que é mais legal quando você pode tocar e ser tocada da maneira como quiser e que isso não te faça ir para a prisão, mas nem falar podemos? Contar detalhes picantes de um encontro parece heresia. Demonstrar que gosta e que faz sim, porque é legal, coloca a gente numa estante de piranha?

Por que não podemos simplesmente viver a nossa sexualidade? Isso não quer dizer que vamos sair transando com todo mundo (ou sim, dependendo da sua condição e do seu gosto), mas o que tem de errado nisso? Precisamos repensar como nos colocamos nessas situações, principalmente as mulheres. Como podemos sim, gostar de sexo, gostar de sermos tocadas e de tocar de várias maneiras, e ainda assim sermos respeitadas por sermos mulheres. 

O sexo é para todo mundo. Desde que se faça aquilo que faça sentido. Viva plenamente, independente do que vão “pensar” de você. Cuide de você com carinho e vai atrair pessoas que também estejam a fim de cuidarem. Amor é para ser do bem. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.