por Andrea Pavlovitsch

No meio do caminho

Quando eu fiz o Leader Trainner, no ano 2000, aprendi um pequeno verso que nunca saiu da minha cabeça. Vou reproduzi-lo abaixo (mais ou menos, porque não encontrei o original), para explicar a razão do meu texto: Caminho por uma rua, lá existe um buraco, caio no buraco. Caminho novamente pela mesma rua, lá existe um buraco, caio novamente no buraco. Caminho novamente pela mesma rua, sei que lá existe um buraco, desvio do buraco.

Caminho por outra rua. Sim, a parte em que caímos no buraco pode ser maior. Bem maior. Pode levar umas 20 páginas até aprendermos, primeiro a desviar do buraco. E depois, só depois, andar por outra rua. E não é que a vida é assim? Eu mesma me percebo caindo nos mesmos buracos de sempre. Na verdade, no meu caso é aquela coisa de se esquecer muito fácil de si mesmo, em detrimento do trabalho, da família, da casa. E quando você percebe, já fez de novo. Existem pessoas que fazem isso no trabalho, com os relacionamentos, com as amizades.

Quando percebe, ops, fiz de novo. E aí a culpa que se acumula, a frustação, o medo de fazer errado de novo, fica quase insuportável. Mas por que fazemos isso? Por que é tão difícil de enxergamos o buraco ou vermos que estamos de novo na mesma rua? Pelas coisas que nos cegam, o ego aterrador e ameaçador que vive te cegando e causando o que chamamos de auto-sabotagem. E o que é auto-sabotagem? É saber que existe um buraco naquela rua, mas mesmo assim continuar andando. É saber que você está caminhando rumo ao buraco que fica cada vez mais profundo, mas mesmo assim manter-se caminhando.

Talvez por achar que desta vez será diferente, ou por um otimismo quase infantil de essas coisas não acontecem comigo. O ego é o maior produtor de desculpas do mundo. Tudo pode virar uma desculpa para não fazermos as mudanças necessárias. Para acharmos que um dia, magicamente, o buraco foi tampado e que não cairemos mais nele. As atitudes iguais causam, impreterivelmente, resultados iguais. Não interessa em que área da sua vida você sempre faça isso, o resultado, mais cedo ou mais tarde, será sempre o mesmo.

Fico nervosa quando vejo alguém perto de mim repetir isso. Mas aprendi a me segurar e não ficar pulando com uma placa na frente da pessoa escrito perigo. Não adianta! Sei que todo mundo tenta fazer isso com as pessoas que amam. Um filho, um irmão, os pais. Fica lá tentando dar conselhos, achando que conversar com o outro melhora, mas não adianta.

Isso porque é muito mais fácil enxergarmos quando o outro está indo pro buraco. Mas difícil quando somos nós mesmos. Orai e vigiai é exatamente isso. Vigiar seus atos, conscientizar o que parece, naquele momento, uma bobagem. Aquele brigadeiro a mais que o ego diz ah, não vai te engordar. Aquele não que você não diz e que o ego fala ah, mas é só desta vez.

Aquele defeito do outro que você finge que não existe porque está louca para que dê certo. Aquela blusa comprada no cartão em 12 vezes que você pensa ah, são só 20 reais por mês. É por essas e outras que vamos, de novo, pela mesma rua. Por não nos conscientizarmos dos pequenos detalhes, das pequenas escolhas que fazemos no nosso dia a dia. Sim, porque a vida não é feita das grandes escolhas, mas das pequenas. Cada pequena decisão errada está te levando, de volta, para a mesma rua e para o mesmo buraco.

Não é você meditar e chegar ao nirvana e entender a humanidade e Deus, é você conseguir olhar pra uma pequena árvore florida, numa luz de outono e ver Deus ali. Ontem eu ouvi a expressão Deus me estraga com mimos. E é verdade. E os mimos dele são maneiras de você perceber suas atitudes e muda-las ali, na hora em que estão acontecendo. Se você quer emagrecer, perceba cada pedaço de comida que entra na sua boca. Consciência 100 por cento nisso.

Se você quer uma nova atitude de uma pessoa próxima, conscientize-se de como você trata essa pessoa a si mesmo, 24 horas por dia. 7 dias por semana. Se você quer economizar, não é parando de comprar Ferraris, mas sim parando com os gastos formiguinhas (uma balinha, uma blusinha, um cafezinho). Se você quer mudar a sua vida, comece agora a praticar a consciência 100% ! Tenho certeza de que, com tempo e paciência, você verá todos os resultados que deseja, um por um, acontecerem na sua vida. E eu, aqui, já comecei com os meus!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.