por Yolanda Coppen

O laço rosa em outubro

Um homem, atraente, de meia idade, entrou em um bar e sentou-se. Antes de fazer o pedido, notou que um grupo de homens mais jovens que estavam em uma mesa perto da sua riam dele. Lembrou-se da pequena fita rosa que levava na lapela de seu blazer e viu que se tratava de gozação. Olhou um deles diretamente nos olhos, levou o dedo até a lapela e apontou:

-Isto?

O outro respondeu-lhe:

-Desculpe-me, amigo. Mas estávamos comentando como está bonito com esta fitinha rosa no blazer azul.

O senhor que usava a fita convidou-o para sentar-se com ele em sua mesa e disse-lhe: 

-Uso esta fita para chamar atenção sobre o câncer de mama. Uso-a em homenagem a minha mãe.

- Sinto muito, ela morreu de câncer de mama?

- Não. Ela está sadia e muito bem, mas foram seus seios que me alimentaram quando eu era bebê. Também uso em honra a minha esposa. Foram seus seios que alimentaram nossa filha de 23 anos.

- Já sei! Suponho que também use esta fita em honra a sua filha.

- Não! É muito tarde para isto. Minha filha morreu de câncer de mama há um mês. Ela pensou que era muito jovem para ter câncer. Assim, quando acidentalmente notou uma pequena protuberância em seu seio ela ignorou. Pensou que como não a incomodava e nem doía, não havia com o que se preocupar. Portanto, em memória de minha filha, uso esta fitinha com muito orgulho. Isto me dá oportunidade de falar com outras pessoas para que incentivem as mulheres a praticarem regularmente o autoexame das mamas e a fazer mamografia uma vez por ano.Tome. 

O homem buscou no bolso e entregou ao outro uma pequena fita cor-de-rosa. Ele pegou, olhou-a e disse: 

-Poderia me ajudar a colocá-la?

A cor rosa traz à lembrança o romantismo, a ternura, ingenuidade e é culturalmente associada ao universo feminino.

Em outubro de 1983 aconteceu a Primeira Corrida pela Cura do Câncer nos Estados Unidos, estimulando a realização da mamografia a partir de campanhas sempre no mês de outubro.     Desde 1990, o laço rosa é utilizado como símbolo lembrando a luta contra o câncer de mama, a partir da corrida que aconteceu em Nova York, estimulada pela Fundação Susan G. Komem for the Cure.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o câncer de mama está em primeiro lugar entre as mortes por câncer em mulheres. Em 2011, no Brasil, 13.225 mulheres morreram por câncer de mama e há a estimativa de que 57.120 novos casos aconteçam em 2014 (INCA, 2014).

Os efeitos psicológicos em relação a autoimagem e a sexualidade faz com que esta doença seja temida entre as mulheres de todo o mundo. Se diagnosticada precocemente, ou seja, logo no início, pode ser curada, então é importante que a mulher preste atenção nela mesma, no seu corpo. Toque suas mamas, fazendo mensalmente o autoexame, anualmente a mamografia e consulta médica.

Como realizar o autoexame? Simples, prático e gratuito... Entre o 5º e o 10º dia do ciclo menstrual, ou seja, entre o 5º e o 10º dia de início da menstruação, a mulher precisa olhar suas mamas, ver seu formato, coloração da pele e dos mamilos, observando se há alguma alteração, tudo isto na frente do espelho. Durante o banho, palpar as mamas com os dedos, tentando identificar algum endurecimento, caroço ou “bolinha” diferente em toda a extensão da mama. No mamilo dar uma apertadinha para verificar se tem saída de sangue ou algum líquido diferente. Caso alguma destas situações citadas ocorra, é importante procurar um médico o mais rápido possível para que ele identifique esta anormalidade.

Mas lembre-se, ter um caroço ou “bolinha” nos seios não é indicação definitiva de câncer, pois alterações hormonais ou tensão pré-menstrual podem provocar algumas variações. Para ter certeza é importante procurar um profissional de saúde.

Então vamos lá, em outubro e em todos os meses do ano, nós mulheres temos a responsabilidade de cuidar de nosso maior bem: Nós mesmas. Faça o autoexame de mama mensalmente e a mamografia e consulta médica anualmente.

Yolanda Coppen

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Enfermeira, professora universitária. 25 anos de vivência na área de saúde e 14 anos na docência. Formanda pela UNIFESP, com especialização em Administração Hospitalar e Gestão de Efluentes Industriais e mestrado em Comunicação.