por Andrea Pavlovitsch

Quais são os seus limites?

Quando compramos um terreno, uma casa, um apartamento, sempre sabemos onde aquilo começa e onde aquilo termina. Ganhamos uma planta, um desenho muito bem explicado. Se eu quiser guardar meu carro no vizinho vou precisar, no mínimo, de uma autorização dele. Não dá para ir entrando assim na casa ou nos terrenos das outras pessoas.

Não fazemos isso literalmente. Mas fazemos isso energeticamente e psicologicamente. E pior, deixamos que os outros entrem nesses nossos espaços.

Dizem que cada ser humano tem um espaço em torno de si de em médica 80 cm. Se alguém entrar nesse local nós sentimos como uma invasão. Tenho uma querida amiga da faculdade que vivia fazendo isso, até eu perceber que ela era míope e não me enxergava. Não era mal-intencionado, era por um problema de vista mesmo. 

Mas em muitos momentos nós sentimos uma má intenção aí. Pergunta tudo sobre você, mesmo que não tenha nenhuma intimidade. Força situações, ou seja, invade o seu campo energético. Outro dia na fila de um banco eu vi uma senhora estranha atrás de mim. Ela já tinha me perguntado uma coisa bem idiota, que eu ignorei (não sou simpática com quem não tem energia boa, desculpe), mas ela insistiu. Queria saber o que eu estava fazendo ali. Quando eu respondi sem responder ela olhou os papéis na minha mão, puxou e soltou um “Você deveria pagar isso na lotérica, é mais rápido”. Virei-me bufando e torcendo para a minha educação de lady falar mais alto. Ela estava sendo invasiva e eu não era obrigada.

Mas fazer isso com pessoas de fora é fácil. O problema são as pessoas que amamos. Quem a gente ama tem uma licença para entrar nos nossos espaços e isso nem sempre é bacana. Isso porque, mesmo que a pessoa te ame de volta, ela tem lá os interesses dela. Ela pode não querer que você faça aquela viagem porque vai se sentir sozinha. Ou que você ganhe mais dinheiro que ela. Tudo isso pode ser (geralmente são) mecanismos inconscientes supercomplicados que a pessoa vai negar até a morte se você perguntar. Ela não vai te fazer mal na prática, mas a energia dela pode. Ela pode vibrar negativamente, mesmo que nem queria isso conscientemente. E é aí que entra o seu limite. Qual é o seu limite para esse tipo de situação?

Eu também não tinha domínio sobre os meus limites. Uma carta do tarô da deusa (Durga) me mostrou o quanto as pessoas ainda entravam em meu campo energético. Os pacientes, os parentes, os amores. Eu estava como uma ameba fazendo osmose a torto e a direito. Se alguém falava alguma coisa, eu entrava. Se eu pensasse na minha vida por mais de dois minutos, eu entendia que estava tudo errado e não tinha forças para continuar. Enfim, estava a mercê de energias que não eram minhas.

Vivemos numa salada energética. Tem todo tipo de coisa por aí. Se você tiver o dom da visão sabe bem do que eu estou falando. Então, já não podemos sair daqui (por enquanto), precisamos aprender a viver com isso.

Você lacra a sua energia quando não permite nenhuma aproximação que não seja bacana, mesmo que precise ser antipática para isso. Você se blinda quando percebe quais pensamentos são seus e quais não são. Pegamos muitas energias avessas até paradas na rua, esperando o ônibus, então cuide dos seus pensamentos. Mantenha a sua vida privada assim, privada. Não é que não possa postar nada no Facebook, mas saiba a hora e a maneira de fazer isso. Algumas coisas todo mundo pode saber, algumas coisas só algumas, outras só você mesmo! Isso também ajuda a blindar a sua energia com você.

O exercício da deusa acima Durga:

Feche os olhos, relaxe, coloque uma música calma e imagine que você tem um círculo ao seu redor. Pode ser um círculo de qualquer tamanho, fechado por qualquer material que você queira. Vivencie esse momento, sinta o que tem lá dentro. Coloque lá dentro só coisas que você ama: livros, música, um cachorro, qualquer coisa. Não coloque ninguém além de você no círculo. Você até pode colocar algumas partes suas, mas aí é mais complicado. Sempre que se sentir invadida, imagine que está de novo dentro daquele círculo. Também é bacana fazer isso quando antes de dormir e assim que acordar. 

Perceba-se e as coisas vão começar a fazer mais sentido. Pense nisso! 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.