por Ivete Costa

Superando traumas

A palavra "trauma", do ponto de vista semântico, vem do grego trauma, cujo significado é “ferida”.

Em geral, o trauma psicológico é produzido a partir da vivência de uma experiência dolorosa, angustiante e crítica, podendo alterar a personalidade e o comportamento do indivíduo e transformar sua vida de forma marcante.

Alguns indivíduos desenvolvem TEPT (transtorno pós-traumático) e outros, aparentam resiliência aos mesmos eventos estressores. O que podemos aprender com isso? A dor é proporcional à interpretação que damos aos fatos, somado aos sentimentos semelhantes ocorridos anteriormente. Várias pessoas podem passar pelo mesmo evento traumático, porém, as memórias emocionais podem ser similares, mas nunca idênticas.

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) pode ser definido como um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais.  Quando a pessoa se recorda do fato, revive o episódio, ou as emoções relativas ao mesmo, como se estivesse ocorrendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento vivido na primeira vez (quando será que foi a primeira vez que a pessoa sentiu-se, por exemplo, abandonada ou com extremo medo?).

Uma das vertentes pesquisadas pela neurociência é de que a memória relativa a um evento, incluindo trauma, está ligada às crenças emocionais existentes, a despeito de sua exatidão. Ou seja, a memória é uma representação genuína dos nossos referenciais emocionais internos e não somente factual. O que arquivamos do trauma é a interpretação emocional particular do evento.

Com técnicas utilizadas pela TCC – Terapia Cognitvo-Comportamental, é possível recuperar memórias traumáticas e promover a modificação da percepção do evento traumático e uma nova interação e relacionamento com o contexto do trauma.

Segundo estudos, o traço de personalidade da ousadia atua como proteção diante do trauma e adversidades. A ousadia pode ser vista em três aspectos:

- A motivação de encontrar sentido na vida;
- A crença de que se pode influenciar o entorno, com sua forma de atuar, pensar e sentir (quando mudamos, o nosso redor muda também);
- Convicção de que se pode aprender e crescer a partir das experiências positivas e negativas.

Esses aspectos predispõem à confiança e à superação das adversidades, facilitando o manejo do estresse da experiência.
A resiliência também aparece em indivíduos que alimentam emoções positivas, tais como: solidariedade, gratidão, amor e empatia.

Resiliência é a capacidade de atravessar as dificuldades e extrair aprendizado das experiências com postura positiva, aumentando a capacidade de superação. Um dos maiores aprendizados que podemos adquirir é transcender a dor. Estar receptivo para perceber o que a experiência pode nos ensinar. Substituir a pergunta: “Por que isso aconteceu comigo?” por “Para que isso aconteceu comigo?”. É uma tarefa que requer vontade forte para superar e “reiniciar”.

Como você percebe a sua capacidade de lidar com os problemas? A percepção de si e a forma como a pessoa fala consigo mesmo sobre os eventos vividos é muito importante. Diálogos internos de autopiedade, desamparo, autovitimização e autodepreciação podem alimentar as emoções negativas, aumentar o sofrimento e enfraquecer as ações necessárias para superação. Ao passo, que, se alimentar pensamentos de esperança e de convicção de que irá vencer, estará mais predisposta à resiliência, enfrentamento e superação. Quando desarticulamos os diálogos internos negativos, se processa, gradualmente, o fortalecimento de novos diálogos internos resilientes, promovendo sentimentos e pensamentos mais positivos.

Não basta apenas “olhar” para o trauma, ou reviver a dor, mas, a maneira como estas memórias são confrontadas. Entrar em contato terapêutico com o trauma, a fim de promover a reestruturação cognitiva e a resiliência.

Algumas pessoas procuram apoio profissional, na literatura, apoio de amigos, enquanto outras enfatizam o silêncio, o isolamento, a revolta e/ou a vitimização. Essa não exteriorização do sofrimento e a negativa em procurar ajuda, é o principal fator que colabora para o prolongamento e intensificação do sofrimento.

Tem-se observado que práticas como a meditação e oração também possuem papel importante na recuperação e superação do trauma. Como exercício diário para estimular e desenvolver a resiliência, experimente lembrar-se de situações em que enfrentou e superou dificuldades. Como se sentiu?
 
“O passado é maleável e flexível, modifica-se com novas interpretações das recordações e reexplicações do que aconteceu”. Peter Berger

Ivete Costa

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Consultora em Gestão de Pessoas com especilização em Life Coaching – Sistema ISOR, Psicossíntese, Terapia Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar.