por Marcos de Paula

Violência física e psicológica nas escolas

Uma pessoa com duas armas planejou, invadiu e assassinou várias crianças de uma escola do Rio de Janeiro, colocando pânico e medo em todos os alunos e demais pessoas que estavam naquele prédio.

Essa tragédia coloca em pauta a necessidade urgente de autoridades públicas e a comunidade como um todo pensarem e agirem de maneira mais efetiva e pontual sobre um assunto que já vem sendo percebido e sentido há muito tempo nas escolas brasileiras, independente de sua localização geográfica e posição social: a violência física e psicológica nas escolas, onde todas as pessoas acabam sendo afetadas, direta ou indiretamente. 

São professores que já sofrem com o processo de despersonalização de sua profissão, que já não conseguem ser respeitados e valorizados dentro e fora da sala de aula, que são desprestigiados e intimidados pelos alunos e seus pais, e ainda não encontram sustentação emocional e acolhedora nem mesmo nas atitudes de seus dirigentes diretos e indiretos, levando-os até mesmo a ficarem doentes, como é o caso da síndrome de burnout, que também é caracterizada pelo esgotamento físico, psíquico e emocional dessa categoria de profissionais.

Já os ex-alunos, com suas famílias muitas vezes desestruturadas e sem maiores referencias e valores sociais, chegam nas escolas se sentindo imunes e capazes de promover ações que possam dar-lhes uma certa sensação de poder e controle, de imporem-se até mesmo pela força e pelos atos que buscam diminuir e oprimir os outros, como uma forma de também compensar, consciente ou não, as suas tragédias e dramas pessoais e familiares.

Toda essa realidade pode provocar uma sensação de impotência, de apatia, de banalização e descaso onde todos acabam perdendo, pois a angústia, a dor e o sofrimento, mesmo sendo vivenciados isoladamente, refletem em atitudes cada vez mais próximas de um radicalismo com alto grau destrutivo, como o da tragédia na cidade maravilhosa.

Marcos de Paula

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Marcos D. de Paula é psicanalista, atendendo adolescentes e adultos na zona sul de São Paulo. Participa também do grupo Big Riso, voluntários que se vestem de palhaços e visitam hospitais do Grande ABC e de São Paulo, levando alegria e descontração, dentro de uma perspectiva de humanização hospitalar.