por Silvia Malamud

Você está acordado ou dormindo?

Quantas vezes e por quanto tempo ainda insistiremos em ficar dormindo frente a determinados temas que não nos fazem bem? Por quanto tempo mais nos iludiremos, achando que em algum momento de nossas vidas algo inesperadamente benéfico irá acontecer e então uma nova realidade se abrirá à nossa frente?

Como uma realidade tão clara e aparentemente tão prazerosa a ser conquistada pode trazer dúvidas sobre se devemos ou não tomar alguma atitude para que ela efetivamente se realize? Por que será que tantas e tantas vezes nos tornamos passivos diante de desafios que com apenas uma atitude poderíamos transformar para melhor? Por que tanto receio de apostar no novo?

Despertar e estar acordado é um exercício diário que nos leva a investir em nosso autodesenvolvimento. O objetivo maior é e sempre será podermos alçar estágios mais lúcidos de nós mesmos, a ponto de, quando necessário, promovermos renovações em qualquer área da vida.

O tempo e o fluxo dos acontecimentos inexoravelmente espelham o estado que a nossa consciência se encontra. Somos protagonistas dos nossos cenários e estes definitivamente não estão tão objetivamente fora de nós como parecem estar e sim dentro. Somos vítimas da nossa inconsciência e por conta desse fato é que a maioria das pessoas dificilmente conseguem realizar mudanças que anos a fio desejam fazer. Reviravoltas importantes costumeiramente ocorrem no último momento do segundo tempo como dizem, mas será que precisaríamos chegar nestes momentos extremados para que mudanças dessa ordem possam tomar espaço em nossas vidas? Afinal somos nós os arquitetos criadores das nossas próprias realidades, sejam elas quais forem.

Muito se fala sobre o amor a si mesmo, sobre o amor ao outro e à vida, mas poucos, porém, honram o que intuem ser o certo e o coerente praticar para o seu próprio bem-estar. Já ouvi histórias de pessoas que acomodam suas percepções, quando drasticamente enganam a si mesmos ao inventarem ser "normal" viver com uma baixa qualidade de vida. E vão empurrando situações duvidosas apenas por não se atreverem a tomar determinadas decisões que certamente redimensionariam as suas existências para melhor.

Se todos se dessem o espaço para escutar a si mesmos seria um excelente caminho de iluminação, no qual a sensação de sentir-se plenamente vivo e livre poderia tomar lugar especial dentro de cada um. Certamente estaríamos bem mais felizes e muito mais conectados com o que de verdade nos faz sentido e com Tudo O Que Existe no sentido mais sagrado que se pode imaginar...

Sistemas de crenças baseados no medo do desamparo e que buscam tentativas irracionalmente mágicas para se controlar a realidade não faltam. Estes funcionam como inimigo número um do caminho do despertamento, quando visam convencer a todos que o correto é existir dentro de severas limitações. Como resultados das aderências à esses sistemas, um terrível engano e paralisação de tudo o que poderíamos alcançar em nossa breve passagem por este planeta azul é o que costuma ocorrer.

Seria prudente ficarmos de olhos bem abertos diante de qualquer imposição de mandatos que nos sobrevém como verdades absolutas e, mais ainda, se em algum instante titubearmos em honrar as nossas verdades de alma.

Num simples deslize podemos acabar em queda livre nos auto impondo preceitos duvidosos, inventando a nós mesmos que teremos alguma segurança ao nos ancorarmos em tais direcionamentos. Mentira. A maioria de nós dorme em sono profundo como resultado deste tipo de adestramento e o pior é que nem suspeitam disso, mesmo quando passam pela vida num limiar muito aquém do que poderiam se experimentar, esquecem-se de que eles próprios poderiam melhorar situações que não estão boas, ousando ter mais prazer de existir. Seguem com seus dramas incessantes em meio às suas sagradas jornadas terrenas enquanto tudo poderiam. Como mecanismo de defesa para suas covardias racionalizam que se aceitando determinadas limitações estariam em segurança. Severo engano quando pouco a pouco a vida vai pulsando menos ou escolhe caminhos alternativos nada bons para pulsar. Um verdadeiro delírio coletivo.

Nada poderá ser resolvido a contento na vida de quem quer que seja por meio de posturas de estagnação, isso  apenas ensina e doutrina o ser humano a se perpetuar como manada, de modo fracassado diante de si mesmo e da sua própria vida. Um método de encapsulamento de tudo o que pode servir para a ampliação da lucidez da consciência.

Ou nossa consciência rege o dinamismo desta orquestra mediante ações deliberadas ou esta orquestra toca por conta própria, vítima da cultura em que se encontra, dos acontecimentos que a estruturou e pior, a mando de outros...

E se exatamente agora, após ler este texto, você despertasse e descobrisse que passou a vida inteira sonhando? Até onde se permitiria voar?

Se sentir necessidade para dar os primeiros passos de libertação e independência, busque ajuda coerente.

Quanto mais despertos, melhor! Ouse e conquiste-se. Você pode, você merece!

Silvia Malamud

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Silvia Malamud é psicóloga clínica, terapeuta certificada em EMDR e Brainspotting, especialista em sonhos e autora do livro "Projeto Secreto Universos" e "Sequestradores de Almas" da Editora Gente.