por Andrea Pavlovitsch

Amores são sempre possíveis?

Desencontros amorosos são muito comuns. Tão comuns que Carlos Drummond de Andrade fez um poema famoso com esse tema: “João que ama Maria que ama José”. Quem nunca ouviu ou leu essas estrofes? O caso é que amor não se define. Não se ama por fazer parte da mesma religião ou curtir o mesmo som ou saber as mesmas frases de um filme preferido. Amamos porque amamos.

Tem a ver com uma série de escolhas dentro da gente. Escolhas quase que totalmente inconscientes, que permeiam nossa psique num lago profundo e escuro de emoções. Geralmente tem pouco a ver com o social ou com escolhas que faríamos socialmente. Se fosse assim, só amaríamos alguém que teve o mesmo grau universitário ou ganhe a mesma coisa ou mais mensalmente. Não permeamos as nossas escolhas do coração por aí, mas as nossas escolhas práticas sim. Podemos nos casar com alguém que faça sentido. Mas amar alguém assim é mais complicado.

Mas o que costuma ser mais comum é aquela escolha tosca. Aquele cara que não tem nada a ver com a gente num primeiro momento. A patricinha com o mano da comunidade. O rico homem de negócios e a enfermeira de um hospital. Não, não é preconceito, de maneira nenhuma. Torço por esse tipo de amor. Amor que tem muito mais coração do que interesses. Mas sabemos que, historicamente, casamentos sempre foram realizados por conveniência. Desde os tempos mais remotos, as pessoas se casavam para unir famílias, preservar fortunas e não por amar alguém. Essa coisa de amor é bem recente.

E por isso está ainda dando tanta confusão. Isso porque escolher e estar com alguém muito diferente de você não é fácil. Hoje se toleram mais as diferenças sociais, raciais e até de idade. Mas isso ainda é recente demais para dizer que todo o preconceito em cima de casais ditos “diferentes” é passado. Existem casos e mais casos de mulheres mais velhas com homens jovens, homens ricos e mulheres pobres, pessoas de raças completamente diferentes e, num primeiro momento, é tudo ok. Mas, depois de um tempo, as pessoas começam a sentir o peso da opinião pública e isso pode sim interferir na relação.

Às vezes, por outro lado, você ama muito alguém. Mas esse alguém não é possível. Ou porque já está casado ou casada ou porque tem uma personalidade muito complicada e difícil ou até porque tem outra orientação sexual. Estes amores impossíveis que nos batem à porta e nos fazem desapegar. Amar sim, talvez até para sempre, mas deixar ir. Deixar aquilo voltar talvez mais tarde, talvez na próxima encarnação. Desencontrar para se encontrar de novo em si.

Essa é uma parte difícil: aceitar o amor como ele é. Diferente, distante ou impossível, ele ainda será sempre o amor. E é isso que vale. Amar sempre. E para sempre.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.