por Andrea Pavlovitsch

Não desista de amar

Eu sou uma mulher, ainda, solteira. Digo ainda porque quero sim ser feliz com alguém, um dia. Um cara realmente legal, como o que eu ando esperando há tempos. Sim, passei muito perrengue nessa área. Muitas idas e vindas, muitas decepções, muitos corações partidos, muitos dias de choro compulsivo e luas-de-mel impagáveis. Enfim, vivi o que precisava viver até agora. O problema é o que fica.

Fica, em um determinado momento, uma sensação de fracasso. E uma sensação de “não nasci mesmo para isso”. Você começa a achar que nunca, jamais vai se apaixonar novamente. Todos os homens parecem feios, desinteressantes. Você conversa com meia dúzia na internet mas, já sabe, eles já se classificaram como coisas que você definitivamente não é. Conhece um carinha em uma festa, até rola uma atração e uns beijinhos mas, dá uma preguiça. E a preguiça de conhecer? De perguntar o nome, o que faz, se vai ligar ou não e mais um monte de coisas. Parece que você está cansada demais para isso. Você pensa em desistir e comprar um ou dois gatos para te fazer companhia. Mas aí, um dia…

Um dia você está lá, vivendo a sua vida (sim, essa é a parte mais importante, que você esteja vivendo de fato a sua vida) e dá de cara com um cara intrigante. Você não acha que está sentindo alguma atração ou nada assim, ele só te intriga, não sei. Pode ser que você cisme com a camisa que ele insiste em usar, ou ache as meias meio fora de moda. Fica se perguntando se ele tem namorada ou é casado, mas oh, você não quer nada não, é só curiosidade mesmo, tá? Aí você começa a conversar com ele (ele pode ser só um carinha do trabalho ou da academia). E, poxa, ele também gosta de tomar café com leite e também curtia Gun´sRoses nos anos 90? E ele não é casado, na verdade saiu de relacionamento faz pouco tempo ou é separado e tem até um menino lindo.

Aos poucos ele te conquista. E pode ser que vocês nunca tenham nada, de fato, mas ele te faz sentir que sim, você pode se apaixonar novamente. O mundo não acabou com o último abençoado que partiu o seu coração. Existe todo um novo mundo de possibilidades, além das noites de choro compulsivo achando que ainda sente saudades do ex, e das crises de inveja porque a sua prima (a mais nova da família) já tem um filho de uns 10 anos de idade.

Às vezes uma pessoa aparece na nossa vida só para isso mesmo: para nos fazer sentir as coisas novamente. Para nos mostrar que a vida é cheia, lotada de milhões de possibilidades e que, se você realmente estiver aberta, a pessoa certa tende a aparecer. E, o mais importante, não dá para pensar só nisso, 24 hs por dia. A gente precisa ser uma companhia interessante para quando ele chegar. Cuidar da gente com carinho, arrumar a casa, a mobília. Deixar tudo pronto para uma nova visita na nossa existência. Amar é muito bom, mas precisa ser separado das ilusões. Ilusões geram decepções horrorosas, marcas indeléveis na alma. Amor só constrói e nos faz sentir inteiras.

Então se você, como eu, já sofreu demais, simplesmente deixe passar. Esqueça o passado, deixe tudo para lá. Perdoe-se pelos erros cometidos e perdoe também as pessoas que foram, no fundo no fundo, só mediadoras dos aprendizados que você precisava ter. Agradeça e as deixe ir embora. E aqui pode entrar os amores passados, ou o pai, a mãe e mais um montão de gente. Deixe-os ir embora e arrume a sua casa e o seu coração para o novo.

Sempre, sempre vale a pena.

P.S. Ao som de “Caminhos Cruzados”, cantado lindamente por Gal Costa.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.