por Andrea Pavlovitsch

A verdade nunca vem embrulhada para presente

Subi na balança e ela marcou dois quilos a mais do que na última vez que a visitei. Ignorei “devem ser os hormônios”. Continuei vivendo a minha vida e, depois de mais alguns dias, os quilos aumentaram. Agora eram três quilos a mais do que a primeira vez. E eu pensei “Poxa, devo estar inchada porque comi batata frita e tinha muito sal”. E deixei, mais alguns dias e já eram quatro imensos quilos, que já incomodam nas roupas e no rosto inchado.

É. Eu não estava só inchada. Eu tinha engordado mesmo. Depois fiquei pensando se não foi assim que eu cheguei a engordar 40 quilos em um ano (quando, anos atrás, eu tive depressão). Eu simplesmente ignorava o que a balança estava me dizendo, inventando desculpas ou fazendo de conta que “não, foi o sal mesmo”. O que engorda não é o sal, e sim as batatas fritas. Assim como o que incomoda é real. Não dá para fugir da realidade.

Mas assim como eu deixo a balança me enganar “sem querer”, outras pessoas têm dificuldade em outras áreas. Compram mais uma coisa inútil porque “eu mereço” ou “nem é tão caro assim”. Sentem a mesma dor de estômago por dois meses, mas “deve ser a batata frita que eu comi ou aquele restaurante que não é bom”. Vem que o marido ou esposa não dão mais a mesma atenção que antes, mas “deve ser a TPM” ou “ele está trabalhando demais”. É incrível como ignoramos uma coisa simples chamada intuição.

 

Se você não tem TOC e nem delírios persecutórios (ou seja, doenças psiquiátricas), então vale a máxima “onde há fumaça, há fogo”. É simples assim. Dentro de você existe um sábio ou uma sábia, que te diz tudo o que você realmente precisa saber. Que você está engordando, que você está com uma gastrite brava ou que o seu casamento está subindo no telhado. E ela não faz isso com você porque é malvada e quer acabar com o seu dia ou com o prazer de devorar um Sundae, mas porque ela quer que você se toque e mude as coisas enquanto há tempo.

E você vai me dizer, “mas eu não tenho essas coisas” e eu vou dizer “tem sim”. Mas chegar em casa e já ligar a TV, passar o dia atualizando redes sociais ou não prestar atenção em nenhum sonho não ajudam muito. A intuição precisa de espaço para conversar com a gente. Eu gosto de chamar a minha de “Mulher Sábia”, como sugerem as autoras do livro “O Oráculo das Deusas”. Eu converso com ela, pergunto se está tudo bem e se existe algo que eu ainda possa fazer. Quase 100% das vezes o que ela diz é batata.

 

E ela não é a “mulher das cartas” e nem um teste interativo do Facebook, ela é você. Ela é a sua sombra, quem te ajuda em tudo o que você precisa. O GPS da sua existência. E a gente com essa fonte inesgotável de sabedoria dentro da gente, desesperada por achar qualquer coisa fora.

Pare! Pare de pensar, de analisar e só escute essa voz lá dentro de você. Não ignore o que você sente no seu peito com relação às coisas. Você sente e você sabe disso. Apenas pare de ignorar a realidade.

Eu parei de ignorar a realidade e a balança. Revi a alimentação, não faltei à academia e já eliminei três dos quilos que subiram. Ainda bem que não deixei chegar à 10, né? Aí o estrago seria bem maior. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.