por Andrea Pavlovitsch

O que me atrai no outro?

O que te atrai em um homem ou em uma mulher? Qual é o seu tipo, como diríamos? O que faz disparar o seu coração ou virar o seu pescoço em uma festa? Acreditem, o que faz tudo isso é algo bem diferente do que você acredita.

Quando falamos de atração, sempre pensamos em beleza. Aliás, nos ensinaram que, se formos muito belos, ou melhor, se tivermos uma beleza padrão (e por padrão leia-se o que a maioria acha bonito) teremos mais sucesso no jogo da atração. É só assistir 20 minutos de novela e seus comerciais. Na maioria das propagandas direcionadas às mulheres, produtos de beleza e essas coisas, fala-se disso. Tem uma propaganda de xampu que está passando agora que fala que, se uma mulher usar a tal marca e tiver cabelos compridos, o Diogo Nogueira vai cantar para ela. Dá até vontade de colocar um aplique depois disso, não é?

Possuir um padrão de beleza é legal. Abre portas. As pessoas mais bonitas conseguem melhores empregos, melhores oportunidades na vida. Mas não é porque não somos a Gisele Bündchen. que estamos de fora do jogo.

Na verdade, o que nos faz atraentes ou não é uma energia. Sim, uma energia que não sabemos dar um nome, mas que eu chamo de “borogodó”. O borogodó aqui é quando você realmente confia no seu taco. Quando está se sentindo bem, bonita, mesmo que tenha quilos a mais, esteja perdendo os cabelos ou não tenha uma altura lá muito razoável. É quando algo em você exala uma confiança, um amor próprio, uma coisa de estar confortável naquele corpo, naquela pele, naquela energia. Mas isso não é muito fácil de se conseguir.

Isso porque existe uma palavrinha que explica: comparação. É isso que a publicidade usa para vender mais e mais produtos de beleza e perpetuar o padrão vigente de beleza. Você abre uma revista e vê uma modelo linda. Ela não tem uma celulite, a barriga é negativa, sua pele parece ter sido esculpida pelos deuses. Bom, na maioria das vezes é mesmo, esculpida pelo deus Photoshop, muito cultuado nos dias atuais. E aí vai tomar seu banho, cansada de um dia de trabalho e se olha no espelho nua. A barriguinha caída, olheiras, os cabelos precisando de uma tintura. Pronto, em cinco minutos você passou de “Deusa sexy” para paninho de chão. Não tem tesão que resista.

E no outro dia, cheia de autoconfiança (cof cof) sai para o trabalho. E ninguém te olha. Nem o tio do cachorro-quente, que sempre te dá mais mostarda, nem ele te dá bola. Pronto, a macumba está feita.

Aí você acha que é feia e ponto final. Bom, vou me conformar com aquele cara mais ou menos que topou casar comigo e seguir com a minha vida. Nada de atração, nada de uma sexualidade plena. Só um corpo passeando pelo mundo.

O que isso gera? Pois bem. Primeiro que a energia sexual, de atração é a energia vital do corpo. Essa energia, quando usada, pode gerar uma vida. Uma vida, um bebê, um novo ser humano, não tem como não ser poderosa. Ela é uma importante fonte de prosperidade na nossa vida, nos traz as coisas das quais precisamos. Não falo só de dinheiro, mas de chances, oportunidades, conhecer as pessoas certas. Conseguimos seduzir a vida para que ela nos dê o que queremos ou precisamos. É fantástico. 

E não, não precisamos dormir com cada um por quem sentimos uma atração (e eu não estou falando para você largar o seu marido ou esposa ou se tornar infiel). Você pode estar feliz em um relacionamento e ainda assim se sentir assim. Sentir que está feliz, confortável dentro de você e isso, claro, chamar a atenção dos homens e mulheres. Mesmo que você não queira mais ninguém, obrigada. Ainda precisa querer a si mesmo. Preciso pensar que é o ser mais cheio de luz que já atravessou por aqui. Precisa acessar isso dentro de você, do seu lado mais bicho, mais instintivo.

Outra coisa, essa energia cuida da sua saúde. Ela melhora sua saúde como um todo. Melhora o sistema imunológico, combate o estresse, a depressão e o funcionamento dos órgãos, claro, fica melhor. O sangue circula, você está vivo e aproveitando essa fonte de vida em você. Sensacional.

Então, que tal repensar seus padrões? Não só os seus próprios, mas das pessoas pelas quais se interessa, sexualmente ou não. Veja se elas não têm exatamente aquilo que você está procurando em si mesmo. Garanto que, pelo menos, vai se divertir procurando isso aí dentro.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.