por Andrea Pavlovitsch

Como fazer seu casamento dar certo (parte 1)

Pedi, outro dia, sugestões para artigos na minha página do Facebook. E foi legal porque notei que este assunto sobre relacionamentos ainda está bastante confuso na cabeça da maioria das pessoas. Essa pergunta me foi feita várias vezes e não é muito fácil de responder. Isso porque cada casamento, assim como cada ser humano, é único. Já vi coisas darem certo para uma pessoa e não darem certo para outra, então talvez a pergunta para começarmos o papo é: o que é dar certo?

Acredito que, se duas pessoas se juntam, se casam, e tem uma vida em comum, boa, mesmo que durante seis meses, é porque já deu certo. Enquanto outros casamentos, que duram uma vida toda, mas são uma porcaria não deram nada certo. Dar certo é você estar feliz com o outro e enquanto isso acontecer está dando certo.

Tenho uma amiga que terminou um casamento de seis anos e vivia repetido “Me separei, meu casamento não deu certo”. Mas deu! Durante 6 anos (talvez cinco, já que o último ano de brigas culminou em separação). Ainda temos a fantasia do felizes para sempre. Ainda queremos uma relação que dure até que a morte nos separe.

Agora pensa numa coisa: ano de 1790. A expectativa de vida era de 45 anos. A pessoa se casava cedo, bem cedo, tipo aos 15, 16 anos. Se ela casasse “tarde”, aos 20, ela tinha 25 anos de vida pela frente, quase todo o tempo tendo filhos sem parar. E não dava para se separar com 8, 10 ou 20 crianças precisando de atenção. Quando ela parava de ter filhos, estava muito perto da morte, para que ia se separar? Ou seja, fazia sentido estar com alguém até o final da vida.

Agora, ano de 2015, expectativa de vida média 72 anos. A maioria das pessoas já vive muito mais do que isso (é só pensar na idade dos seus pais e como eles estão, ou dos seus avós). Aos 45 anos, você ainda tem metade da sua vida pela frente. Porque ainda achamos que seremos a mesma pessoa dos 20?

Não faz sentido. E não tem nada a ver querer ser a mesma pessoa para sempre. Se nós mudamos necessariamente as nossas necessidades mudam. Nossos sonhos, nossas perspectivas de vida e, muitas vezes, isso tudo no outro é diferente. A pessoa está parada ou simplesmente quer outras coisas. Você quer conhecer Paris e ele quer comprar uma casa na praia e pescar o próprio peixe. Quer dizer que não deu certo? Não, quer dizer que vocês mudaram. Só isso.


 

Mudar e aceitar as mudanças é que é difícil. Saber que sim, está tudo muito diferente, faz com que precisemos olhar para gente e parar de se identificar com aquilo que já fomos. Encontrar uma nova identidade para a gente mesmo, reconectar (ou conectar pela primeira vez) com as coisas que gostamos de verdade. Isso é complicado.
Então, na primeira parte dessa história, entenda o que você quer que dê certo naquele casamento. Entenda o que é ainda amor e o que é só apego ao passado, apego ao casal que vocês já foram. Aliás, para descobrir o amor é necessário que nos livremos do apego em primeiro lugar.

Depois voltamos a conversar sobre o assunto. Acho que já tem bastante para se pensar.

Pense nisso! 

Confira também: Parte 1 • Parte 2

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.