por Andrea Pavlovitsch

Jurei mentiras e sigo sozinho...

Estou com a cabeça um pouco atordoada hoje, acho que são os hormônios. Não conheço outra pessoa mais sensível do que eu às energias ao redor. Ontem foi um dia de caos em São Paulo e hoje me sinto cansada como se tivesse corrido uma maratona.

Não entendo, algumas vezes, o que o meu corpo quer me dizer. Não sei se porque não somos ensinados a isso na escola ou porque simplesmente não conhecemos a sua linguagem. Mas que ele conversa conosco, isso ele conversa. E como diz a verdade! É incrível. Sempre escuto a mesma reclamação, mas como eu sei que o que eu acho é a verdade? Simples. Sinta. Se você pergunta para si mesma e sente que aquilo é a verdade, será. A sua verdade, e não uma verdade construída para que você possa se apossar dela.

Acho que isso, aliás, é uma coisa que aprendemos errado. Desde crianças procuramos respostas fora de nós. Escolhemos modelos, nos baseamos em pessoas e coisas que nos façam ter um parâmetro externo e social. E, me digam uma coisa, porque não olhar e procurar este parâmetro lá dentro? O que há de errado com as nossas verdades internas e porque não ouvi-las? Não precisamos de nada e isso é a verdade. Não precisamos ter filhos só porque somos mulheres. Não precisamos de um homem, nem de um sapato ou de um vestido para nos sentirmos assim. Aliás, muitas mulheres que tem tudo isso não se sentem mulheres de qualquer maneira. Então, porque mentimos para nós mesmos o tempo todo?

Esta semana eu ouvi uma frase: não se iluda! Achei engraçado. Por que não se iluda é muito difícil. Não naquilo que achamos que temos, mas no que achamos que está certo. A vida que vivemos é uma grande ilusão. Todas as normas e regras e tem que são ilusórios. E o pior é que só descobrimos isso com 90 anos, depois de cometer todos os erros possíveis e imagináveis. E como é difícil perdoar os nossos erros. Hoje mesmo, assistindo um programa de TV, me lembrei de um erro passado. Nossa, me deu tanta vergonha! Todo o meu orgulho subiu de volta e eu me senti uma porcaria que cometeu aquele erro. Depois parei e pensei que não poderia ter sido diferente, apesar de a sensação estar aqui até agora. Mas não tem jeito! Precisamos nos perdoar antes de tudo, pelos nossos erros e pelas nossas mentiras.

Só contamos mentiras para nós porque precisamos delas. As mentiras são funcionais quando precisamos justificar entrar atrasado no trabalho e quando precisamos justificar por que mesmo eu não me casei com aquele cara? Precisamos fingir de vez em quando porque senão viveríamos deprimidos e não aprenderíamos nada com isso.

Então, hoje, neste dia nublado, eu quero fazer o ritual do autoperdão. Perdoar todas as abobrinhas que eu fiz na vida. Baixar novamente o meu orgulho, sair do meu salto 12 e olhar as coisas de baixo, da minha posição. Respirar para fora o medo, a vaidade de fazer tudo certo e perceber que sim, eu posso ser sempre melhor. Mas isso não faz de mim uma pessoa errada.

Eu sou certa, sempre! E é só isso que existe. Está tudo bom, está tudo sempre certo.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.