por Aline Carnicelli

Quem é você?

Era uma aula como qualquer outra de estudo mediúnico, quem ministrava essa aula era uma entidade espiritual chamada Sarah, uma cigana com toda aquela animação típica do povo cigano, que me encanta.

Ao final da aula, uma aluna queixou-se: “Cigana, eu tenho dificuldade de saber quando sou eu e quando é a entidade”, a cigana sem pestanejar respondeu: “Mas é claro, você não sabe nem quem é você”. Confesso que para mim, naquela hora, esse comentário tinha sido um pouco chocante, afinal, no início do meu desenvolvimento eu também me queixava muito disso, fui para casa pensativa, eu via muito sentido naquilo que ela havia dito, mas ainda assim me gerava um certo conflito.

Pensei nisso por pelo menos uma semana e quando me dei conta, tudo estava muito esclarecido na minha cabeça, era muito óbvio, eu jamais confundiria um pensamento meu, ou uma atitude minha com a de nenhuma outra pessoa se eu de fato me conhecesse, fosse essa pessoa entidade espiritual ou não e isso ficou muito claro para mim.

A minha busca pelo autoconhecimento já havia começado há muito tempo e estava sendo um tanto quanto difícil para mim me aceitar, eu já dominava diversas técnicas, exercícios e teorias e podia passar com louvor a quem quisesse aprender, porém tinha extrema dificuldade de praticá-los, mas ouvir aquele comentário da cigana tinha despertado alguma coisa em mim. Eu estava inquieta e com vontade de me jogar no mundo de verdade, comecei a buscar outras técnicas e exercícios e retomei algumas que eu já havia aprendido.

Comecei a me descobrir, no início era tudo muito confuso e eu não conseguia perceber se aquilo estava surtindo o efeito que queria, mas o universo não brinca em serviço e começou a me colocar situações para que eu mostrasse que eu realmente estava me descobrindo e me aceitando, comecei a enfrentar situações que antes eu fugia, como por exemplo tomada de decisões, sempre que queria fazer algo eu perguntava para o meu marido o que ele achava, se ia ficar bom e, muitas vezes desistia no meio do caminho, mas dessa vez não, eu ia em frente, a decisão estava tomada e ponto.

Descubra-se! Tome as suas próprias decisões.

Outra situação que por vezes me deixava em situações delicadas era assumir responsabilidades que não eram minhas, fulano tinha que fazer uma coisa e eu para agradar ia lá e fazia, muitas vezes contra minha vontade e, em alguns casos, ainda a pessoa ficava brava comigo, com razão, mas eu acabava me magoando sempre e além de pegar uma responsabilidade que não era minha eu ainda jogava a culpa da minha mágoa em cima da outra pessoa; por vezes também me desesperei com desespero de outros, que na maioria eram infundados, mas eu estava saindo ilesa de todas essas situações e isso me deixava cada vez mais empolgada na minha busca do autoconhecimento, porque tudo isso só me provava o quanto eu estava centrada, o quanto eu estava alheia a perturbação do mundo.

A intenção desse artigo é que seja muito mais um conselho do que um artigo. Não perca seu tempo vivendo como um fantoche moldado pela sociedade, pela família, pela religião, ou seja lá pelo que for.

Eu precisei de empurrão pra despertar e isso mudou completamente o meu modo de enxergar a vida e espero que esse artigo possa te ajudar a despertar também.

A busca não para e cada vez eu descubro mais coisas interessantes que eu nem sabia que existiam em mim. Hoje se me perguntarem quem sou eu, a resposta está na ponta da língua.

E você sabe quem é ?

Aline Carnicelli

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Formada em comunicação social, começou a se interessar por espiritualidade ainda muito nova. Hoje tem um espaço esotérico onde trabalha como terapeuta holística.
É mestre de reiki, consultora feng shui e dirigente espiritual de um templo de umbanda.