por Daiana Barasa

A busca pelo Trevo de Quatro Folhas

Não poderia jamais reclamar da minha infância, foi sublime, repleta de fantasias, brincadeiras, histórias, pinturas, amigos imaginários, músicas infantis... E repleta de trevos, uma planta que floresce na primavera e no verão, é conhecida como trevo de quatro folhas, mas os delicados trevos geralmente têm apenas três folhas, e encontrar um trevo com quatro folhas... ora... é sorte.

Lembro que eu devia ter quatro anos de idade e tinha uma colega de pré-escola que morava em um prédio ao lado da minha casa. Na entrada do prédio, havia um canteiro repleto de trevos e quando minha mãe me levava para visitá-la era sempre uma briga: menina esquece esses trevos!!! (risos) Sim, eu queria encontrar o trevo da sorte. 

Há uma música encantadora da Fernanda Takai cuja letra diz: vivo esperando e procurando/ Um trevo no meu jardim/ Quatro folhinhas nascidas ao léu/ Me levariam pertinho do céu/ Feliz eu seria e o trevo faria/ Que ela voltasse pra mim/ Vivo esperando e procurando/ Um trevo no meu jardim.

Não consigo lembrar se algum dia encontrei o tal trevo com as quatro folhas, e de repente foi como se a modernidade das grandes metrópoles engolissem os belos canteiros e extinguissem ainda mais os amuletos de boa sorte.

Então um dia desses, eu estava lembrando do verde do trevo, um verde vivo, iluminado, que dá vontade de desejar mais vida. Acredita-se que cada folha do trevo tenha um importante significado: esperança, fé, amor e sorte. Essa sorte tão rara, tão misteriosa, tão questionada, tão necessária, que alguns dizem que não existe, essa tão sonhada sorte! 

A vida nos dá esperança, fé, amor e a tal sorte muitas vezes temos que materializar, ou, há casos em que temos menos que três folhas. Essa sorte não vem no pacote, essa quarta pequena e verde folha está em algum lugar esperando para ser encontrada. A tal sorte espera de “esperançar” e muitos vagam por ela todos os dias, mas estão todos tão absortos em suas urgências que não param para pensar em resgatar a folha da sorte.

Os trevos seguem com suas três folhas ou menos enquanto a quarta está por aí com seu verde vivo e iluminado esperançando, e os olhos seguem fechados para o que há de mais simples.

Que haja mais canteiros, mais trevos plantados, mais olhos ávidos e mais esperança, fé, amor e principalmente, simplicidade para encontrar a doce sorte, que pode estar escondida até mesmo dentro de nós, em um lugar tão profundo que só mesmo com esperança, fé e amor podemos resgatá-la.

 

Daiana Barasa

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