por Andrea Pavlovitsch

Meu bichinho de estimação

Há alguns anos, quando finalmente vim morar sozinha, eu ensaiava ter um animal de estimação. Mas aí, no começo, eu morava com a minha irmã e ela não queria. Depois que ela foi embora e se casou, eu queria um cãozinho. Mas eles são caros, precisa de um lugar idôneo para comprar, adotar era complicado porque os cães nessas condições são uma caixinha de surpresas e eu vivo em apartamento, tinha que ser um de determinada raça. Enfim, a vida foi passando e o projeto sendo adiado.

Até que, alguns meses atrás, eu me vi sozinha em casa pensando por que não? Um amigo me disse uma frase “nunca vi uma bruxa sem gato”. Mas gato? Ah não, eles são... você sabe, gatos. Na realidade, sempre ouvi falar tão mal deles que nem queria ouvir argumentos. Eles são “ariscos e perversos” e só pensam neles mesmos, que horror. Cãezinhos são fofos, gatos não. Fora que eu nunca tinha nem pegado um no colo, não, não e não.

Até que uma noite eu “vi” um animal branco andando pela minha casa. Sei que vão achar loucura, mas eu tinha dessas. Era branquinha, uma menina, e muito fofa. Ela caminhava atrás de mim até que eu finalmente perguntei quem ela era. Ela disse que era o meu animal e que estava a caminho. Eu disse que seria bem-vinda e que poderia cuidar dela.

Depois de uns dois meses, recebo uma foto do meu amigo, envolvido com a adoção de animais, com uma ninhada de gatinhos. “Um deles é fêmea, nasceram ontem, você quer?”. Quando eu vi uma gatinha (que eu nem sabia que era a fêmea) com uma manchinha nas costas e no focinho só respondi com um grande “SIM”.

Desde que a Lorelai Gilmore chegou na minha vida é como se tudo tivesse ficado colorido. Ela não fala uma palavra com a boca, mas com os olhos se comunica que é uma maravilha. Sim, ela é uma gatinha e, sim, ela pensa nela mesma. Mas também pensa em mim, e muito. Ela deita no meu colo nas noites de frio, ronrona enquanto eu acaricio sua cabeça e reclama se eu paro. Me olha com aqueles olhos de “me dá mais um sachê”, mesmo que saiba que não funciona. Apronta, derrubou uma tigela e quebrou, bebe a água da pia e já fez xixi em lugares inimagináveis. Mas o que eu sinto por ela, meu Deus, é amor na sua forma mais pura.

Gatos são interessantes demais e talvez por isso gerem tanto medo. Eles parecem ler a nossa alma. Já tive um cão, na casa dos meus pais, mas o gato parece mais “nosso”. Mesmo que eles tenham a vida deles, é uma vida mais simbiótica. Agora, tudo o que eu penso em fazer, penso nela antes. Quero passar um final de semana num hotel, mas onde eu deixo a Lore? Algumas pessoas ainda acham que eu “arrumei para a cabeça”, sim eu arrumei. Arrumei para cabeça e para o coração.

Amar um animal é como amar a natureza toda. É como sentir o seu instinto em outro corpo. É dar e receber um carinho imenso, mas tão centrado, tão pequeno e tão concentrado. É quando seu coração só ama, só isso. Não tem nenhum outro motivo. Ele é só amor.

Eu recomendo o projeto animal de estimação mais do que qualquer outro tipo de terapia. O que realmente precisamos é amor, como disseram os Beatles, e se tem uma coisa que a minha gatinha me dá é isso. Agora ela está na sala, se recuperando da sua cirurgia. E eu cuidando dela como uma mamãe zelosa. Desculpem os milk-shakes de Ovomaltine ou as tardes de sábado, mas é bom demais. É amor. Dos bons!

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.