por Paulo Bregantin

A importância do passado para o presente e o futuro

Neste artigo usarei como base os escritos de Freud em O futuro de uma ilusão, que foi escrito em 1927 em meados de setembro e foi publicado em novembro do mesmo ano.

“Finalmente, faz-se sentir o fato curioso de que, em geral, as pessoas experimentam seu presente de forma ingênua, por assim dizer, sem serem capazes de fazer uma estimativa sobre seu conteúdo; têm primeiro de se colocar a certa distância dele: isto é, o presente tem de se tornar o passado para que possa produzir pontos de observação a partir dos quais elas julguem o futuro.”

 

Quando não usamos como base em nossas vidas o passado, simplesmente profetizamos o que acontecerá no futuro, porém, é uma profecia sem noção das conseqüências e muito menos sem a previsão das verdades que irão acontecer. Serão somente especulações da mente e expectativas infundadas de experiências que nunca vivemos. Sim! Ao não olharmos o passado, passamos a viver simplesmente de expectativas infundadas, que muito provavelmente vão gerar angústias, ansiedades e depressões.

É no passado onde podemos avaliar os processos de progressos da civilização e, onde também avaliamos os seres humanos de forma coletiva e individualizada, pois a civilização é em fato o que chamamos de história e o quanto nossa racionalidade é realmente vivida e percebida. Não obstante ao fato de sermos parte do reino animal como parte da espécie, foi nos dada a capacidade de raciocinar e isso, nos garante diferenças dentro do reino animal, ou seja, podemos viver não somente os instintos animais humanos como também o progresso da racionalização e poder de decisão sobre nós mesmos e a vida dos outros. A isso chamaremos de ciência e tecnologia.

Pois nenhum outro ser do reino animal tem o poder de raciocinar e de forma sistemática transformar a vida e seu meio para o bem ou para o mal. São as definições de instintos e desejos, ou seja, os instintos são comuns a todos do reino animal, porém os desejos são especificamente do ser humano – racional.

Nesse sentido percebemos que uma minoria dos seres humanos influencia a maioria, pois como Freud cita:

“Pensar-se-ia ser possível um reordenamento das relações humanas, que removeria as fontes de insatisfação para com a civilização pela renúncia à coerção e à repressão dos instintos, de sorte que, imperturbados pela discórdia interna, os homens pudessem dedicar-se à aquisição da riqueza e à sua fruição.”

“Essa mudança de instinto seria uma nova forma de observar o sentido da civilização e também da vida humana, pois hoje, observamos e ouvimos muitas pessoas dizendo: “vamos olhar para o futuro (...) Esqueçamos o passado e vamos em frente.”

 

Essas frases e tantas outras nos levam a tirar a importância de entender o passado e as implicações de decisões que tomamos e suas consequências. Estamos vivendo um tempo onde não queremos nos comprometer com as consequências dos atos passados e, isso nos leva a ficarmos à mercê de instintos que não conhecemos e com isso, entramos em um ciclo de ansiedades e expectativas do futuro sem saber o que realmente pode acontecer.

Volto meu olhar e pensamento não para a grande “massa”, ou seja, o ser humano em geral, mas sim para aqueles que se dizem líderes e que influenciam a grande maioria, pois como citei acima nós somos, como seres humanos, divididos em dois grupos: a grande massa e os que conduziram essa grande massa. Pois, a grande massa são aqueles que seguem seus instintos e, por vezes, por pura preguiça não modificam suas posturas e, sim, aguardam que os outros ditem as regras para elas.

Para o grupo que chamei de pequeno e de influenciadores, cabe a urgência de reaprender os instintos e formas de fazer, pois o fato de não voltar e reler o passado nos levará a expectativas e, isso nos acarretará pessoas psicologicamente enfermas, depressivas, angustiadas e ansiosas.

Pois quando retornamos às nossas infâncias e percebemos que hoje somos como meninos e meninas crescidos (as) que buscamos somente posições, poder e riquezas como fazíamos nas brincadeiras de crianças, ficamos mais sábios em perceber que naquele tempo as consequências eram pequenas, uns ganhavam e outros perdiam somente. Hoje, se aplicarmos os mesmos princípios de posições, poder e riquezas, muitas pessoas sairão perdendo e, serão prejudicadas de forma que às vezes se torna impossível de reverter o quadro.

O olhar somente para o futuro nos leva a esquecer sobre os princípios de posições, poder e riquezas e, dessa forma nos leva a não mais raciocinar o que verdadeiramente nos interessa, levando às ações do instinto, e com isso, todos da civilização perdem e, mesmo a minoria que ganhou será prejudicada com o aumento dos roubos, mortes, agressões e desilusões.

Freud reafirma o descrito acima em:

“Se nos voltarmos para as restrições que só se aplicam a certas classes da sociedade, encontraremos um estado de coisas que é flagrante e que sempre foi reconhecido. É de se esperar que essas classes subprivilegiadas invejem os privilégios das favorecidas e façam tudo o que podem para libertarem de seu próprio excesso de privação. Onde isso não for possível, uma permanente parcela de descontentamento persistirá dentro da cultura interessada, o que pode conduzir a perigosas revoltas.”

 

Frente ao exposto, acredito que um retorno na avaliação ao passado poderá nos submeter ao entendimento de quem somos e, sabendo isso, podemos saber o porquê estamos onde estamos e, quem sabe fazer um processo de possibilidades e oportunidades de como será nosso futuro. Se continuarmos a viver sem uma leitura e um entendimento do nosso passado, corremos o risco de cometermos os mesmos erros e, consequentemente viver as mesmas dores que já vivemos e, o pior, podemos enfrentar uma resistência interior por viver as mesmas dores e, com isso, nosso corpo e mente não vão aguentar a pressão e, teremos muitas pessoas vivendo quadros de depressão, ansiedade, histeria, neurose, angústia, entre outras psicopatologias associadas a essas descritas.

Cabe a cada um de nós uma busca incansável de aprendizado do nosso passado. Estou escrevendo uma teoria sobre passado, presente e futuro com base na levitação magnética e os polos positivos dos imãs... Segue uma pequena parte do que estou tentando entender:

“A palavra levitação tem origem no latim levis, que significa leveza, e é o processo com o qual se consegue suspender um objeto numa posição estável contrariando, assim as forças da gravidade, mediante o uso de forças exercidas sem contato com o objeto. Manter um corpo suspenso no ar, sem qualquer apoio aparente, como que desafiando a lei da gravidade, é reconhecido como fenômeno de levitação.”

 

Ao tentar aproximar os polos iguais de dois ímãs, estes se repelem, o polo positivo do campo externo repele os polos positivos de cada átomo magnetizado do material, quando os campos são contrários. Essa força de repulsão gerada faz com que o material possa levitar quando a mesma for maior que o peso do material.

Com esse princípio de resistência magnética, posso afirmar que quando tentamos entender nosso passado estando ainda no presente, criamos um campo magnético e de levitação nos transportando para o futuro.

Pois seria assim o polo positivo do campo externo (passado) repele os polos positivos de cada átomo magnetizado do material (presente). Com isso criamos a levitação (possibilidades), ou seja uma forma extraordinária de observar o futuro.

Quando entendo meu passado (polo positivo do campo externo) tudo que vivi e aprendi ao longo da vida e com as pessoas que convivi, bem como as experiências (boas e ruins), as informações passadas pelos meus pais e professores, familiares e amigos. Isso indica que estou apto a prosseguir na vida.

Porém, a outra parte para o entendimento das possibilidades de futuro vem do presente (polos positivos de cada átomo magnetizado do material), ou seja, o que sou de verdade, pois ao perceber meu presente e entender meu passado posso criar as possibilidades (levitação).

Então, como os ímãs; o passado, o presente e o futuro tornam-se mais avaliáveis. Isso quer dizer: passado é a parte positiva de tudo que vivi até um minuto atrás, presente é a parte positiva do que sou agora, e o futuro é parte das possibilidades que terei no futuro.

Paulo Bregantin

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Mais de 25 anos dedicado ao cuidado de pessoas, sendo Psicanalista Clínico e escritor com várias obras publicadas. Atua nas redes sociais como dono, gerenciando a página Paulo Bregantin e o Grupo Psicanálise Integrativa.

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