por Mia Vilela

A simbologia de Câncer

Após um tempinho distante, volto a escrever sobre a simbologia dos 12 signos zodiacais. Desta vez, adentro o território do elemento Água, o qual tem início no Zodíaco com o signo de Câncer, ou Caranguejo.

O elemento Água está associado ao plano das emoções e, assim, juntamente com os outros 3 elementos do Zodíaco (Fogo – criação, espiritualidade; Terra – matéria, habilidade de lidar com o plano concreto e Ar – racionalidade, comunicação), encerra as 4 habilidades fundamentais que precisamos desenvolver em nós mesmos, a fim de transitarmos com eficiência pela vida.

Notem que o elemento Água, na sequência zodiacal, é o último a aparecer, tendo início apenas com o quarto signo do Zodíaco. Conforme o leitor mais atento dessa série de artigos deve ter observado, a sequência dos signos zodiacais tem uma lógica associada com os estágios do desenvolvimento humano. Portanto, apenas no quarto estágio, depois de termos minimamente aprendido a mostrar nossa vontade (Áries), construir nossa subsistência (Touro), termos o mínimo de comunicação e conhecimento (Gêmeos), estamos prontos para começar a entender nossas emoções em Câncer, até solidificarmos todo o processo no décimo segundo e último signo do Zodíaco, Peixes, também do elemento Água.

Câncer é regido pela Lua, a qual, por sua vez, é a responsável pela viabilidade da vida na Terra, garantindo os ciclos da água. Desde os primórdios, a Lua tem sido associada à natureza feminina, sendo o símbolo das mulheres e de seu ciclo menstrual. É a Lua que nos traz a compreensão de que a vida é regida por ciclos e que nos compete apenas decidir como agir ao longo de cada um deles. A propósito, só para constar, a economia também é cíclica e, em Astrologia Econômica, é a Lua o ator principal das previsões.

A Lua não tem luz própria, apenas refletindo a luz do Sol que, como visto no artigo sobre o signo de Leão, simboliza a nossa consciência e o nosso ego (princípios mitologicamente masculinos). Equivocadamente, essa simbologia pode ter alimentado a mentalidade de que as mulheres devem seguir os homens de sua vida, refletindo a luz deles.

Digo equivocadamente, porque toda mulher tem o Sol em seu mapa já que, quando dizemos que alguém é do signo tal, significa que o Sol estava nesse signo no momento de seu nascimento. Da mesma forma, todo homem tem a Lua em seu mapa, revelando que também tem uma parte refletora e emotiva. Portanto, TODOS temos um lado associado aos princípios masculinos e outro aos princípios femininos. E as mulheres têm vontade e luz própria.

Se o Sol é a consciência, a vontade e o ego, a Lua é a inteligência emocional. Sem ela, não há Sol que brilhe, porque sem equilíbrio emocional surgem a depressão, o descontrole, a agressão, a inabilidade de conviver e, consequentemente, de triunfar.

Ainda, a Lua evidencia que todos temos necessidade de segurança em algum setor da vida, sem exceção. Isso já basta para que a mente racional conclua que, por consequência, não nos cabe julgar que aquilo que o outro entende ser essencial à sua segurança esteja errado apenas porque não coincide com aquilo que sentimos ser fundamental à nossa. A Lua, tal como a mãe, tem empatia para com o próximo e, sem empatia, meus caros, a vida em sociedade é impossível.

Com efeito, empatia é a capacidade de termos um mínimo de compaixão em relação às necessidades e o tempo do outro, ainda que não nos seja possível entendê-las racionalmente a ponto de concordar com essas.

Essas características, historicamente associadas à mulher e vistas como fraquezas, são, na verdade, a liga para que o Sol (princípio masculino da vontade) possa se realizar com sucesso e sustentabilidade, sem chamar para si uma guerra da qual sairá perdedor.

Urge que nossa sociedade compreenda que todas essas qualidades associadas à Lua e às mulheres são, tal como o satélite, o que permite que continuemos existindo enquanto sociedade, pois, sem elas, o ego é tal que nos aniquilará. Imaginem um mundo sem empatia e onde as pessoas não tenham equilíbrio emocional!

É do equilíbrio entre Sol e Lua que vem a habilidade de conseguir ser você mesmo em um ambiente de convivência social. Sem o Sol, a Lua se perde em suas emoções e, sem ela, o Sol se perde em seu egoísmo.

Câncer, o quarto signo, nos ensina a importância do equilíbrio emocional para conseguirmos segurança. O Caranguejo, seu símbolo, nem bem vive na água, nem bem vive na areia, mas precisa dos dois. Mostrando a necessidade de termos habilidade emocional (Água) para lidarmos com o mundo material (Terra) e, assim, obtermos a segurança que buscamos.

Não por acaso, a todo signo de Água opõem-se um signo de Terra e, no caso de Câncer, esse signo de Terra é Capricórnio, que simboliza o pai, a autoridade, a disciplina e o sucesso no mundo dos negócios. Mas, sem o seu oposto empático, não tem negócio.

Capricórnio, simbolizado pela cabra montanhesa, sai do ninho e constrói um legado no mundo, mas, se a sua origem, Câncer, não estiver bem processada, a construção será um mero castelo de areia. Por outro lado, Câncer, que simboliza a mãe, o ninho, o começo, precisa aprender a voar e subir a montanha.

Como se vê, a habilidade de transitarmos pelo mundo material encontra sua estrutura no plano emocional. Nosso passado, simbolizado pelo signo de Câncer, precisa estar bem processado internamente para que o futuro terreno possa ser traçado.

Um passado estagnado em mágoas e emoções “de água parada” implica em um presente ruim, repetitivo, ao qual chamamos carma.

A Astrologia ensina que precisamos ser os mestres de nossas emoções se quisermos ser capazes de poder viver nossa real natureza (Sol) em um mundo material, onde a vida nos chama num ciclo constante rumo ao fim e do qual apenas levaremos o que tivermos aprendido e retido em nossa alma, mas no qual desejamos deixar nosso legado.

Mia Vilela

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Mia Vilela é astróloga desde 2004, formada pela Regulus Astrologia. Suas consultas são voltadas ao autoconhecimento e previsões.

Desde a infância Mia sempre foi muito curiosa acerca da Astrologia, pois sua natureza controladora a fez desejar desvendar os mistérios do destino: como assim não podemos controlá-lo? Acabou por aprender que a nossa personalidade é o nosso destino e percebeu que a Astrologia, antes de um oráculo, é uma ótima ferramenta de autoconhecimento, bem como uma das inúmeras fontes de conhecimento sobre o funcionamento da personalidade humana.

Por meio de uma linguagem acessível, Mia espera poder compartilhar o que aprendeu e tem aprendido nesses anos, a fim de que mais pessoas possam ter acesso ao que a Astrologia tem a nos ensinar. Com isso, espera contribuir com uma sementinha para que os leitores depositem um olhar mais profundo sobre si mesmos, entendendo que, ao mudarmos nós mesmos, mudamos o mundo à nossa volta.

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