por Andrea Pavlovitsch

Síndrome do Patinho Feio

Eu acabei de chegar da apresentação de balé da minha sobrinha, que falava da história da Princesa Feiurinha. Feiurinha era uma bela princesa, que foi sequestrada por duas bruxas, que passaram a vida dizendo que ela era feia. Como ela era diferente das bruxas, ela realmente se achava feia. Queria ter uma verruga no nariz, cabelos desgrenhados, mas tinha os fios lisos e louros. No final, o príncipe a salva com o seu amor. 

Clichês a parte, achei legal levar um tema destes para o balé de crianças de dois a seis anos de idade. Dizendo que todos são bonitos por dentro e por fora. Entre as bailarinas tinham gordinhas, altas, magrinhas, baixinhas (os meninos chamam a minha sobrinha de tampinha), uma menina linda com Síndrome de Down, com óculos, mas todas estavam lá , juntas, dançando e sendo crianças. 

Aí, chego em casa e vejo que chegou o meu book. O book com temática sexy que eu fiz estes dias. Eu, uma mulher corpulenta, com barriga e coxas grossas. Ali, semi nua. Confesso que a primeira impressão foi estranhamento. Fuçei as fotos atrás de meus defeitos: a barriga poderia ter sido mais puxada. Meus seios precisam ser turbinados, minhas coxas andam precisando de mais foco na musculação. Automaticamente a minha mente direcionou todos os meus “defeitos físicos” e me fez, mesmo que temporariamente, ter me arrependido de ter feito o ensaio.

Temos crenças arraigadas na nossa mente. Possivelmente, mesmo que a Feiurinha tivesse sido salva por um príncipe e fosse morar num lugar onde todas a achem linda, ainda assim ela precisaria lidar com a sua mente acostumada a achá-la feia. No filme “O amor é cego” tem uma cena em que o amigo do personagem que se apaixona pela “gorda” diz que provavelmente ela se acha feia porque já foi feia na vida. Que ela tem síndrome do patinho feio. Ele tem razão, mas não porque a moça “já foi feia na vida”, mas porque ela acreditou nisso.

Acreditamos sempre que estamos erradas. Somos mulheres, precisamos manter um padrão que simplesmente não existe (se não contarmos com um presente da genética, claro). Ontem, abri uma velha caixa de fotos e vi uma foto minha com uns cinco anos de idade, de biquíni. Que menina linda eu era! Que menina linda eu sou! Eu amo tanto aquela menina, amo tanto o que ela se tornou. Por que ainda deixo a minha mente me infernizar com um monte de porcarias sem sentido?

Precisamos controlar nossos pensamentos. Colocar, no lugar deles, sentimentos. Sentir o quanto o nosso corpo é sagrado. O quão especial é cada pedacinho da gente. O quanto é gostoso poder usar esse corpo para fazer as coisas que queremos e precisamos. Dançar, andar, comer coisas gostosas. Pegue uma foto sua, que você adora e coloque num lindo porta-retratos (pode ser em qualquer idade). Aquela é você de verdade. Aquela é a única pessoa no mundo para a qual você deve satisfações. Ame muito a si mesma. Não existe , como a história, o tal patinho feio. 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.