por Regine Luise

Vai garoto, voa!

Voa, vai ser feliz. Que eu vou tratar de fazer isso também

Exatamente hoje que completamos um mês de separação, distância e término do nosso ciclo, outro ciclo começa na sua vida. Aquele que você sempre teve como prioridade, que colocou acima de tudo, todos, inclusive de mim. Hoje você começa uma nova caminhada, novos passos, nova reportagens, novas matérias, um novo emprego e até posso me arriscar ao dizer que hoje você também começa uma nova vida.

Festas e mais festas com amigos, bebidas e quem sabe (homens e mulheres), não vai fazer com que a gente se esqueça. Não vai apagar tudo que vivemos, tão pouco o amor que sentimos ou dizemos ter. Pelo menos não tão cedo. Esse texto é para desejar alguns votos, então lá vai.

Primeiro, eu quero que você realmente seja muito feliz, prestigiado e realizado nesse novo emprego. Que em cada matéria, o jornalismo se faça presente de uma forma objetiva e sincera, capaz de informar e agradar os olhos de quem vê.

Desejo também que cada personagem que conhecer, te marque de alguma forma e cada contato que fizer, guarde na sua agenda, lembrando que o dia de amanhã a gente não sabe e que talvez precisemos acionar ou ligar para essa ou aquela pessoa.

Espero que você tenha um salário suficiente para satisfazer as suas necessidades, ajudar a sua família e proporcionar momentos de lazer. Até porque todo mundo é filho de Deus e você também merece (e vai precisar) de momentos de descontração para rir e falar um pouco de bobagem.

Também espero que com o tempo perceba que dinheiro é importante, mas não é tudo nessa vida. Que os maiores prazeres não se limitam a bens materiais, mas sim espirituais e principalmente emocionais. A maior riqueza do mundo é o amor e essa não se conquista com dinheiro.

Tomara que na sua fase de amadurecimento perceba que os amigos são fundamentais em nossas vidas, mas não podemos deixar de lado a mulher que colocou a gente no mundo e merece nosso amor, cumplicidade, companheirismo e agradecimento incondicional. Ahn, ainda nesse pacote de pesos e valores, que um dia você perceba que mesmo com bons amigos e a família por perto, nada substitui a presença de um amor para aquecer e morar no nosso peito. Nesse dia, você saberá valorizar e manter por perto a mulher da sua vida.

Eu saberia contabilizar e fazer uma lista com as coisas que você deixou de fazer, que eu senti falta, que nos levaram ao fim. Eu poderia sentir raiva e não querer ver você nunca mais na minha vida. Porém onde se tem amor, não existe espaço para o ódio. Não cabem os dois sentimentos em um só peito.

Nunca fui de usar muito a razão, você melhor do que ninguém sabe bem disso, mas acredito que seja o momento. O momento de desejar que você seja feliz e que vá com Deus. O momento de guardar todas as cartas lá no fundo do guarda-roupa onde os olhos não alcance. O momento de tirar todas as fotos do PC ou do celular e guardar num CD bem no fundo da gaveta. Principalmente esse é o momento de seguir sem você. Sem suas ligações, mensagens, conversas, abraços e beijos. Sem suas promessas e tentativas em vão. É o momento de deixar você ir embora como um pássaro que não quer ficar preso na gaiola.

Então vai, pode ir. Deixa que o coração eu fecho com uma chave e coloco em algum lugar que fique bem guardado, mas eu esqueça por um bom tempo. Vai atrás dos seus sonhos, vai com o seu novo emprego, vai com os seus amigos. Vai e tenta levar a sua mãe e a família que tanto te amam e te querem bem. Vai garoto, voa.

E eu? Ahn, deixa que eu me ajeito ou a vida ajeita. Já estou tentando fechar o coração e abrir os olhos. Sentimentalismo, nesse caso, não me ajudou muito, então vou deixá-lo dormindo até que alguém trate de acordá-lo novamente.

Vai garoto, voa. Vai sem medo, vai ser feliz. Vai que eu vou também. Não para o mesmo caminho que você, mas do lado oposto. Vou para o lado em que se fala, mas não mostra a cara. Vou para o lado em que vozes contam histórias, impressionam e emocionam. Vou para o lado daquele jornalismo que talvez não seja tão factual, mas fala de cultura e daquilo que ninguém vê.

Vai garoto, vai ser feliz. Pode ir. Não se preocupa comigo não, porque eu vou ser feliz também. E nem precisa vir com aquele papinho de “podemos serem amigos”, ou “talvez o futuro nos una de novo”, pode me poupar dessas mentiras, dessas ilusões, leva com você tudo isso que eu não quero e nem vai me fazer falta.

Vai garoto. Boa sorte no novo emprego. Vai embora, vai ser feliz. Que eu vou também, para o outro lado da rua, da calçada, do caminho, da sua vida. Vai embora, garoto. Vai ser feliz, que eu vou tratar de fazer isso também.

Regine Luise

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Jornalista, poeta e romântica nas horas vagas. Regine Luise ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem.