por Regine Luise

Pelo direito de conhecer mais e escolher menos

Vendo tantas pessoas solteiras (homens e mulheres) reclamarem que não encontram um parceiro(a), fico pensando o motivo disso. Acompanhando histórias, testemunhos, e pelas minhas próprias experiências vividas, talvez esteja chegando perto de uma conclusão. Ou pelo menos, uma boa hipótese.

Outro dia desses li de uma psicóloga que algumas pessoas escolhem seus parceiros como escolhessem um produto, ou mesmo como se fizessem uma entrevista de emprego. Nos vestimos com uma carapuça de defesa, deixamos na ponta da língua tudo que queremos e (principalmente) o que não queremos no outro. Nos blindamos de sentir, tocar, conversar, falar (ouvir) e conhecer o outro de verdade.

 

Depois do “tudo bem”, “quais são seus hobbys”, “religião”, “preferência política”, “música favorita”, “formação, estudos, emprego”, depois e em cada um desses itens, existem detalhes peculiares que na maioria das vezes nem chegamos a descobrir.

É tão automático dispensarmos uma pessoa na primeira meia hora (ou bem menos que isso) de conversa, que, por vezes, perdemos a oportunidade de conhecer alguém legal, interessante, especial. É como se já criássemos em nossa mente um perfil de pessoa que queremos, esperamos e procuramos. Não digo que isso seja errado, mas se pudermos estar mais abertos às oportunidades e pessoas em geral, poderemos conhecer e ter experiências diferentes.

Fato que cada um de nós tem preferências, gostos, estilos. Uns ainda escolhem pela cor da pele, pelo status financeiro, pelo estilo de vida que leva. Aquele eu não quero porque fuma, daquela eu não gosto porque não bebe. Aquela vai muito para a igreja e o outro não quer sair da balada. “Quem vê cara não vê coração” -, um ditado popular tão velho e que se faz tão necessário e pertinente ainda nos dias de hoje.

Acho que o amor não está na expectativa que a gente cria dele e sim naquilo que não esperamos. Naquela pessoa que sem você conhecer afirma: “Ah, ele não tem nada a ver comigo”, mas quando se olham você fica sem graça. Está naquele cara que não faz seu tipo físico, mas quando vocês se beijam sua perna estremece, suas mãos suam, seu corpo formiga. Tem química, tem toque, tem faísca.

 

Pode ser loiro, alto, baixo, branco, negro ou amarelo. Pode ser careca, cabeludo, com barba ou bigode. Pode ser mais velho ou mais novo. Gostar de funk, rap, samba ou música clássica. Ser ateu ou protestante. Embora eu mesma acredite e prefira alguém mais parecido comigo, preciso ser sincera ao confessar, quando bate, simplesmente bate. Não é algo explicável com palavras, é algo que se sente. É algo que se demonstra com um sorriso, abraço ou beijo. É algo que se vê no brilho do olhar, na vontade de estar perto, no cheiro, na pele, no jeito.

Certas coisas na vida não foram feitas para serem explicadas, mas sim sentidas e vividas. Algumas pessoas simplesmente nos tocam e privar-se disso é um desperdício de felicidade. Pode durar um dia, uma noite, uma semana, um mês ou uma vida inteira.
Antes de dizer se gosta, se combina ou se quer aquele homem ou mulher, converse mais, conheça mais. Na dúvida, tente. Afinal de contas, quando bate a gente sempre sabe e sente lá no lado esquerdo do peito.

Regine Luise

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Jornalista, poeta e romântica nas horas vagas. Regine Luise ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem.